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escrita em fluxo de consciência

Técnica do fluxo de consciência: o que é e como utilizar

Já ouviu falar de fluxo de consciência? Essa técnica de escrita é uma forma mais crua e real de expressar pensamentos em uma narrativa, seja do personagem ou do autor.

Utilizada por grandes escritores como Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Virginia Woolf, é um modo instigante e moderno de contar histórias.

Abraçar essa técnica pode parecer assustador para novos autores. Apesar de conhecida, são poucos os que realmente dominam essa escrita. Pensando nisso, neste artigo abordaremos o fluxo de consciência, com dicas para que você também enriqueça sua obra com essa técnica.

Vem com a gente e confira!

O que é fluxo de consciência?

O fluxo de consciência é uma técnica de escrita que consiste em narrar o complexo processo do pensamento humano da forma mais verdadeira possível.

É um modo de exercitar a escrita criativa de maneira inovadora e impactante. Ele mescla pensamentos lógicos, impressões sensoriais e memórias de forma não-linear, mutável e contínua.

Escrita muito autêntica e particular, permite desvios da gramática, mistura o passado com o presente e quebra a estrutura usual de uma narrativa. Em suas divagações, convida o leitor a mergulhar diretamente na cabeça do personagem, sentindo e pensando junto a ele.

Ao contrário do que muitos imaginam, o fluxo de consciência não teve origem na literatura. O termo surgiu inicialmente na psicologia em meados de 1890, mas foi adotado por escritores modernistas no século XX.

Alguns exemplos de obras renomadas que ficaram famosas por utilizar essa técnica são “Mrs. Dalloway”, de Virginia Woolf; “Grande sertão: veredas”, de Guimarães Rosa e “Hora da Estrela”, de Clarice Lispector.

No livro de Virginia Woolf, um trecho que representa bem as características do fluxo de consciência pode ser visto abaixo:

“Sentia-se muito jovem; e, ao mesmo tempo, indizivelmente velha. Passava como uma navalha através de tudo; e ao mesmo tempo ficava de fora, olhando. Tinha a perpétua sensação, enquanto olhava os carros, de estar fora, longe e sozinha no meio do mar; sempre sentira que era muito, muito perigoso viver, por um só dia que fosse.”

Interessante, não é? No próximo tópico, vamos trazer mais detalhes dessa técnica de escrita literária, para que você também consiga utilizá-la!

Como escrever com fluxo de consciência?

Agora que você já sabe um pouco mais sobre essa técnica, deve estar se perguntando como pode aplicá-la na sua escrita. Aqui elencamos 5 dicas de como escrever em fluxo de consciência:

1 – Jogue seus pensamentos no papel

Por seu caráter fluido, sem filtro, o fluxo de consciência é uma ótima forma de começar a escrever seu livro e vencer o bloqueio criativo.

Marque 10 minutos em um cronômetro e narre seus próprios pensamentos e sensações do como lhe vierem à mente, sem se preocupar com linearidade, estrutura e pontuação. O texto que surgir será repleto de caminhos e possibilidades!

Escrever em fluxo de consciência também é uma ótima forma de descobrir sua voz como escritor. Ao exercitar esse tipo de escrita, você pode entender melhor seu próprio jeito de pensar e suas particularidades, podendo aplicá-las em seu texto de modo autêntico e autoral.

O fluxo de consciência pode ser escrito tanto em primeira quanto em terceira pessoa. Caso queira adicionar certa dificuldade a esse exercício, tente escrever seu fluxo de pensamento três vezes, cada uma utilizando um dos três tipos de narradores existentes.

2 – Aprofunde o que já tem escrito

Se deseja tornar uma cena mais impactante ou um personagem mais profundo, o fluxo de consciência é um ótimo recurso.

Essa técnica permite um aprofundamento maior no psicológico de seus personagens, podendo ser usada tanto em momentos pontuais quanto na própria criação de personagem.

Pergunte-se:

  • O que está acontecendo na cena?
  • O que o personagem pensa sobre o que está acontecendo?
  • O que o personagem vê, ouve, cheira e sente nesse momento?
  • O que esse momento o faz lembrar?

Com esse exercício, você entra na cabeça do seu personagem e desenvolve sua personalidade de maneira mais realista, explorando seu próprio modo de pensar.

Ao responder essas perguntas, você também confere maior detalhamento à cena, tornando-a mais impactante.

3 – Utilize sensações 

Não é incomum que um cheiro, imagem ou gosto nos transporte para outro lugar, guiando nossa mente. Explore os 5 sentidos em sua narrativa, descrevendo as sensações e fazendo associações de forma livre e espontânea.

Comece com uma percepção: frio, calor, uma nota musical, a acidez de uma laranja. Descreva a sensação e a siga até onde te levar. Esteja aberto a conexões inesperadas, não-lineares e subjetivas. Você pode encontrar novos entendimentos ao se deixar levar pelas palavras!

A liberdade da escrita em fluxo de consciência permite que cada percepção traga consigo pensamentos distintos. Essa técnica abre um leque de possibilidades para o autor, que pode abordar diversos temas por diferentes caminhos em seu manuscrito.

4 – Mescle passado e presente

Em nossos pensamentos, lembranças muitas vezes nos tomam por completo. Seja passando perto de uma casa onde costumávamos morar, olhando para alguém que nos recorda de outra pessoa na rua ou até mesmo sentindo um cheiro familiar, somos constantemente lembrados de nossas experiências.

No fluxo de consciência, a mistura de passado e presente é bem-vinda. Apresente a temporalidade de uma maneira não-linear, introduzindo eventos conforme os pensamentos surgem.

Essa técnica pode ser muito útil ao escrever uma autobiografia, por exemplo, ao recontar um evento de sua vida. Ela permite que você se coloque novamente dentro da experiência passada e descreva o que passou por sua cabeça nesse momento.

Atenção: apesar de não-linear, o fluxo de consciência não é fragmentado. Os pensamentos devem seguir um curso natural e orgânico, para não desconectar o leitor com uma mudança abrupta.

5 – Brinque com a estrutura

Esse tipo de escrita permite ao autor romper com algumas estruturas narrativas convencionais. Experimente com pontuação, vírgulas, parágrafos e gramática para expressar mais fielmente os pensamentos como eles vêm.

O discurso indireto livre também é muito utilizado nessa técnica. Nele, as falas são incluídas na narração, sem travessão ou marcas que as separem do discurso narrativo. O fluxo de consciência possibilita a variação entre o discurso indireto e o direto, dependendo do que se quer passar ao leitor. 

Através dessa técnica, você pode encontrar sua própria estrutura narrativa, variando o ritmo e tom de sua escrita. Assim, suas obras se tornarão mais autênticas e íntimas, convidando o leitor a se aprofundar na história. 

Está pronto para aplicar o fluxo de consciência em sua obra? Com essas dicas, esperamos que você consiga utilizar essa técnica, enriquecendo suas capacidades como autor!

Continue se aprofundando no mundo da escrita: confira também 8 dicas da Viseu para se tornar um escritor melhor.

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