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entrevista com autor de novo livro de romance

“Ninguém toca piano sem estudar piano. Para escrever, também tem que estudar”, afirma autor Danilo Zanirato

O escritor Danilo Zanirato explora as diversas faces do amor em seu mais novo lançamento, “Concerto para piano a seis mãos”. O livro segue três protagonistas, Dinorá, Edilson e Letícia, que se entremeiam no decorrer da história em uma sinfonia de anseios, dúvidas e sentimentos complexos.

Zanirato demonstra maturidade como escritor, utilizando de sua experiência como poeta para tecer uma prosa sensível e musical. Em sua obra, aborda o conceito do amor em suas várias formas – romântico, familiar, platônico –, com seus entrelaços e colisões inesperadas.

Além de um triângulo amoroso nada usual, “Concerto para piano a seis mãos” apresenta a dinamicidade dos sentimentos e a imprevisibilidade da vida. A partir dos dilemas que cada personagem enfrenta, suas escolhas os levam a diferentes arranjos e harmonias.

Nessa entrevista, o autor detalha seu processo criativo, compartilha suas referências, relembra o início de sua carreira como escritor e fornece conselhos para novos autores. Confira!

1. Como foi o início da sua carreira como escritor?

Danilo Zanirato: Escrevo poemas desde a adolescência. Publico alguns nas redes sociais. Eu achava que não teria capacidade para escrever um romance, mas veio de repente, como um insight, a ideia de escrever o primeiro.

Quando me propus a escrever, as ideias jorravam na minha cabeça. Não conseguia dormir, a cada momento me aparecia uma nova ideia e eu tinha que anotar para não esquecer. Até durante o trabalho me irrompiam na mente.

Sou médico, trabalho em tempo integral e tenho que escrever à noite e nos finais de semana, conciliando com minhas atividades profissionais, família, netos etc… Confesso que o ato de publicar é mais para alimentar um ego pessoal.

2. Como a experiência na poesia impactou em sua prosa?

Danilo Zanirato: A maioria dos escritores inicia na poesia, comigo não foi diferente. Revelou-me o prazer de escrever e, mais ainda, o prazer de ler. Gosto de incluir algumas passagens de prosa poética nos meus textos.

3. Como você lida com bloqueios criativos ou momentos de dúvida durante o processo de escrita?

Danilo Zanirato: Uso duas técnicas. Na primeira, apenas abro o computador e começo a escrever. As ideias vão se encadeando. Já na segunda, recorro a outros autores. Leio muito, ocupo cada minuto dos meus momentos livres (que são poucos), para ler. Aproveito ideias de outros autores, não plagiando, mas observando seus estilos e soluções.

4. Para você, a escrita é mais inspiração ou transpiração?

Danilo Zanirato: Eu diria que são as duas opções. Tenho momentos em que quebro a cabeça, pesquiso, leio outros autores, sofro, transpiro. Mas também tenho momentos de inspiração, em que as ideias fluem como um rio caudaloso.

5. Na sua opinião, qual é o principal desafio que os autores enfrentam na atualidade para ter sucesso na carreira?

Danilo Zanirato: Acredito que seja a falta de visibilidade. Não tenho experiência nenhuma em marketing. O primeiro livro, vendi apenas para conhecidos e meus clientes do consultório, onde deixo o livro exposto.

O brasileiro lê muito pouco e acostumou-se com as mensagens curtas e instantâneas da internet. Então, para pegar um romance de 200 a 300 páginas, só os poucos aficionados por leitura.

Mesmo no marketing, o número de autores publicando e divulgando é grande, o que deixa pouco espaço para que tenhamos credibilidade.

6. Como você lidou com rejeições ou críticas negativas durante sua jornada como escritor?

Danilo Zanirato: Não sei dizer, porque tive raríssimas (e pontuais) críticas ao meu primeiro livro e menos ainda (praticamente zero) aos poemas que público. Não sei se é verdadeiro, mas quase só recebi elogios. A maioria das pessoas não faz comentários, o que me deixa com cisma de que não gostaram e não querem comentar.

7. Quais foram suas principais referências criativas para escrever o livro?

Danilo Zanirato: Neste livro, fui muito influenciado pelo romance “Uma casa no fim do mundo”, do Americano Michael Cunningham. Usei o mesmo formato do livro: Cada capítulo dando voz a um dos personagens, escrito na primeira pessoa. Alguma pequena influência também de Haruki Murakami; Mário Vargas Lhosa e Clarice Lispector.

8. Existe algum trecho do livro que você gostaria de citar?

Danilo Zanirato: “Tinha um sorriso aberto, doce e sincero que lhe dava um ar de quem compreende a alma humana à sua frente. Não me lembro de ter visto em minha vida mais que dois ou três sorrisos como aquele. Um sorriso que dava a impressão de ser para uma única pessoa no mundo, naquele momento, eu.”

9. Poderia falar sobre seus planos de publicações futuras? Além desse, tem outros projetos em desenvolvimento?

Danilo Zanirato: O próximo livro a ser publicado (Mar de Solidão), que foi escrito antes desse, tem uma abordagem bastante diferente. Tem, como em todos os meus romances, muitas referências ao amor, mas envolve também um pouco de aventura. 

A história acontece em plena ditadura militar no Brasil. O personagem principal tem fama de agitador, o que desagrada aos militares. Paralelamente, existem duas outras personagens com suas histórias que se interligam: Um padre e uma prostituta.

10. Como você espera que seu livro impacte os leitores? Existe uma mensagem principal que você deseja transmitir?

Danilo Zanirato: É um livro sobre amor. A mensagem é enaltecer o amor, em todas as suas formas.

11. Como você acredita que a Literatura pode contribuir para a vida dos leitores?

Danilo Zanirato: Vejo a literatura como nuvens de chuva, em que cada palavra é como uma gota de água para o cultivo de uma humanidade mais justa e ética. A literatura expande a mente, abre horizontes, propicia que se enxergue o mundo com a mente mais aberta.

Se quer que seu filho seja uma pessoa completa, dê-lhe livros (não brinquedos que imitam armas). Faça com que ele goste de ler como gosta de brincar.

12. Que conselho você daria para escritores aspirantes que estão tentando começar suas carreiras?

Danilo Zanirato: Diria: leiam, leiam. Leiam muito antes de iniciar qualquer obra. E, se possível, façam cursos. Ninguém toca piano sem estudar piano. Para escrever, também tem que estudar.

“Concerto para piano a seis mãos” já está disponível na loja da Amazon da Editora Viseu e nas melhores plataformas de livros no país.

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