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Como manter a originalidade do seu texto e evitar clichês literários

Você já teve a sensação de que seu texto parece… igual aos outros? Que, mesmo com todo o esforço, sua história soa familiar demais, seus personagens lembram figuras de outros livros e suas frases ecoam algo que você já leu antes?

Se sim, você não está sozinho. Esse é um dilema que muitos escritores — iniciantes e experientes — enfrentam: como manter a originalidade da escrita e evitar cair nos mesmos clichês de sempre.

Originalidade é um dos pilares da boa literatura. Mas também é uma das metas mais difíceis de alcançar — especialmente em um mundo onde tudo já parece ter sido dito. Neste artigo, vamos explorar a fundo esse desafio, desmistificar o que é (e o que não é) originalidade, mostrar como identificar e eliminar clichês do seu texto e, principalmente, como cultivar uma escrita verdadeiramente sua.

Você não precisa reinventar a roda, mas precisa aprender a fazer com que ela gire do seu jeito.

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O que é originalidade na escrita — e o que ela não é

Vamos começar desfazendo um mito: ser original não significa criar algo 100% novo e inédito. Isso é praticamente impossível. A maioria das histórias já foi contada de alguma forma — o que muda é o olhar, a voz, o caminho.

A originalidade não está no enredo revolucionário ou na linguagem jamais usada. Está na combinação única de experiências, emoções, escolhas estilísticas e perspectivas que só você tem. Está em como você escreve, e não apenas no que escreve.

A escritora americana Anne Lamott, autora do clássico Bird by Bird, afirma que a voz autoral vem de contar a verdade como você a vê. E isso inclui seus medos, contradições, lembranças, vícios de linguagem e manias narrativas. Tudo isso pode virar força, se usado com consciência.

Por que caímos em clichês — mesmo sem querer?

Clichês são atalhos mentais. São soluções rápidas e familiares que nosso cérebro reconhece como seguras — e por isso nos empurram para fórmulas prontas.

Quando escrevemos, especialmente sob pressão, nosso instinto é recorrer ao que já conhecemos. Isso inclui expressões batidas (“coração apertado”, “lágrimas escorriam como chuva”), estruturas narrativas previsíveis (“o herói improvável que salva o mundo”) e personagens genéricos (a mocinha indefesa, o vilão cruel sem motivo, o mentor sábio).

O problema? O leitor também reconhece esses atalhos. E, quando tudo soa repetido, a leitura perde impacto. O cérebro do leitor se desliga.

Por dentro da análise crítica: Saiba com é feita essa etapa de revisão de um livro

Como identificar os clichês escondidos no seu texto

 Você pode até achar que está escrevendo algo novo — mas se não fizer uma leitura crítica, os clichês passam despercebidos. Aqui vão algumas armadilhas comuns:

Expressões desgastadas
  • “Chorar rios de lágrimas”, “com o coração na mão”, “como uma faca no peito”
  • Substitua por imagens sensoriais específicas, ligadas à cena e ao personagem.

Tramas lineares e previsíveis

  • Todo mundo sabe o que vai acontecer no final? Hora de repensar os conflitos e as viradas.

Falas artificiais

  • Personagens que soam como estereótipos, não como pessoas reais.

Linguagem neutra demais

  • Falta ritmo, cor, personalidade nas frases? Talvez esteja faltando sua voz ali.
  • Uma boa dica é reler seu texto em voz alta. O que parece forçado, repetitivo ou genérico vai saltar aos ouvidos.

Uma boa dica é reler seu texto em voz alta. O que parece forçado, repetitivo ou genérico vai saltar aos ouvidos.

Estratégias para fugir dos clichês e escrever com autenticidade

Agora que você já entendeu o que é originalidade, por que caímos em clichês e como identificá-los, vamos ao que realmente importa: como evitá-los na prática.

1. Troque o automático pelo específico

Toda vez que você escrever algo que parece “fácil demais”, pare. Pergunte-se: existe uma forma mais honesta ou mais sensorial de dizer isso?

🛠 Exemplo:
Em vez de “o coração dela disparou”, experimente “ela sentiu como se o peito fosse pequeno demais para tudo o que batia dentro”.

O objetivo não é ser rebuscado. É ser vivo.

2. Experimente outros pontos de vista

Uma boa forma de subverter clichês é mudar o ângulo. E se o narrador fosse o antagonista? Ou um objeto? Ou alguém que não entende o que está acontecendo?

Esse deslocamento força novas perguntas — e novas respostas criativas.

3. Humanize seus personagens

Pessoas reais são contraditórias, ambíguas, às vezes incoerentes. Seus personagens também devem ser. Um vilão pode ser gentil com animais. Uma heroína pode cometer erros terríveis.

Quando o personagem é verossímil, ele quebra o molde e escapa do clichê.

4. Reescreva com consciência

A primeira versão é onde você despeja. A segunda é onde você lapida.

Na reescrita, observe onde há frases genéricas, ideias repetidas, passagens “sem alma”. O trabalho de originalidade se faz, muitas vezes, na revisão.

5. Desenvolvendo sua voz autoral

A voz autoral é o maior antídoto contra o clichê. É ela que dá identidade ao texto, que faz o leitor reconhecer o autor mesmo sem ver o nome na capa.

Mas como se desenvolve uma voz?

  • Escrevendo com frequência. Quanto mais você escreve, mais natural sua linguagem se torna.
  • Lendo com atenção. Perceba como outros autores resolvem situações parecidas.
  • Analisando seus textos antigos. O que ali ainda soa verdadeiro? O que soa forçado?
  • Sendo fiel ao que você acredita. Escreva com verdade. Isso se traduz no texto.

A originalidade não está no vocabulário difícil ou na estrutura ousada. Está na honestidade. Como disse Clarice Lispector: “Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania. Depende de quando e como você me vê passar.”

Por que originalidade importa no mercado editorial atual

O mercado editorial está mais atento do que nunca à originalidade — não como novidade pela novidade, mas como representatividade, autenticidade e profundidade.

Segundo a pesquisa da Technavio (2024), a busca por livros com novas abordagens e diversidade de vozes é um dos principais impulsionadores de crescimento do setor, projetando um aumento de mais de 18 milhões de dólares até 2029.

Além disso, editoras tem dado mais espaço para livros que “fogem do padrão” permitindo que mais autores levem ao mundo suas histórias. Esse novo espaço valoriza obras com personalidade.

Ou seja: o leitor está buscando o que só você pode oferecer.

Exercícios práticos para cultivar a originalidade

Se você quer escrever com mais originalidade, precisa tratar a escrita como um músculo. E todo músculo precisa de treino. Aqui vão alguns exercícios para estimular a criatividade e sair do automático:

✍️ 1. Descrição sem nome

Escolha um objeto cotidiano (um copo, um relógio, uma mochila) e descreva-o sem dizer o que ele é.

🔄 2. Inversão de clichês

Pegue uma frase feita e reescreva com ironia, contradição ou profundidade.

Exemplo: “Dizem que o tempo cura tudo, mas ele só me ensinou a conviver com a cicatriz.”

👁 3. Ponto de vista improvável

Reescreva uma cena comum do ponto de vista de alguém que está assistindo de longe, ou mesmo de um objeto da cena.

Se você chegou até aqui, parabéns: está um passo mais perto de escrever algo que só você pode escrever. Agora é hora de voltar ao seu texto — e fazer dele um lugar onde o clichê não tem vez.

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