Há histórias que vão além da ficção e encontram sua força na verdade de quem as viveu. Em Eu sou uma lagarta, em metamorfose, Rodrigo B. Ponsoni conduz o leitor por uma narrativa profundamente humana, inspirada em suas próprias experiências, abordando temas como dependência química, encarceramento, fé, resiliência e transformação pessoal.
Utilizando a poderosa metáfora da lagarta que atravessa o casulo para se tornar uma borboleta, a obra mostra que mesmo nos momentos mais difíceis é possível encontrar um caminho de renovação. Ao longo da narrativa, o autor compartilha reflexões sobre escolhas, consequências, amor familiar e crescimento espiritual, construindo uma leitura capaz de provocar identificação e reflexão.
Nesta entrevista, Rodrigo B. Ponsoni fala sobre sua trajetória, as inspirações por trás do livro, o processo de escrita e a mensagem que espera deixar aos leitores.
Para começar, poderia nos contar um pouco sobre você e sua jornada como autor?
Eu sou Rodrigo Baracho Ponsoni e, na juventude, tive diversos problemas com as drogas e bebidas alcoólicas. Devido a essas atitudes, pratiquei diversos atos ilícitos, encontrando o caminho da detenção. Na prisão, passei por diversos momentos difíceis que me fizeram comparar-me a uma lagarta que sobreviveria apenas para sua subsistência e, assim como este inseto, passaria pela metamorfose até chegar à fase de uma borboleta. No entanto, para que tal metamorfose ocorresse com sucesso, deveria abnegar meus desejos egoístas e transformá-los em um altruísmo puro. Chegada a minha maturidade, senti a necessidade de externar o que aprendi, praticando a resiliência, a caridade e a fé.O que o inspirou a escrever o livro?
A minha inspiração originou-se com base em dois fortes elementos experimentados na convivência e vivência. O primeiro fator foi quando relatava o ocorrido sobre o meu passado para as pessoas, causando sentimentos distintos e confusos. Por esse motivo, quem não me conhecia tratava-me com exclusão e quem convivia comigo achava que minha pessoa estava querendo alguma intimidação perante a resenha. A segunda fonte inspiradora partiu de uma das leituras enquanto estava na prisão. Eu li atentamente a obra de Franz Kafka, intitulada A Metamorfose.Como sua experiência pessoal se reflete nos temas abordados no livro?
O livro relata exclusivamente as reflexões pessoais, causando uma reforma íntima no leitor, pois o leva a se colocar no lugar de cada um dos personagens. Tornei-me grato pelo experimento vivenciado, pois, graças à detenção, tenho disciplina e conscientização ao trabalhar e interagir com o próximo.Pode nos contar um pouco sobre o processo criativo para escrever o livro?
O processo criativo não foi tão difícil, pois bastava relatar o ocorrido e explanar os diversos fatos casuais. No entanto, tive bastante dificuldade em construir a trama narrativa temporal, envolvendo cada um dos personagens, sem que eles ficassem deslocados no desenvolvimento da história.Quais foram suas principais referências criativas para escrever o livro?
Minha referência foi o amor que Jesus Cristo ensinou para cada um de nós e fez com que minha pessoa abandonasse a natureza egoísta e começasse a praticar o altruísmo. Nessa transformação que tanto almejava, fiz uma analogia metamórfica entre a lagarta, passando pela clausura do casulo, até conquistar a sua liberdade plena como uma borboleta.Quais foram os principais desafios que você enfrentou ao escrever o livro?
O principal desafio foi elaborar a trama sem confundir a minha narrativa com os diversos “diálogos cabulosos” entre os criminosos que conviviam comigo. Foi então que a Editora Viseu deu auxílio tutorial para mim, instruindo que separasse a narrativa em primeira pessoa de uma forma lírica, diferenciando-a dos diálogos com diversas gírias e palavras de baixo calão.Como você espera que seu livro impacte os leitores?
O mais importante foi deixar claro aos leitores que a nossa reforma íntima ocorre somente quando praticamos a caridade e o amor ao próximo.Existe uma mensagem principal que você deseja transmitir?
Acredite sempre em seus sonhos, mesmo que este seja um pesadelo. Foi na prisão que um amigo e pastor certa vez disse uma analogia maravilhosa. Ele comparou alguns seres humanos, em especial, a uma floresta de vegetação densa e frondosa. De repente, um raio poderá cair e incendiá-la, causando uma enorme devastação. Contudo, sendo a terra fértil, torna-se uma vegetação cada vez mais forte e nada acontecerá por acaso, basta que seja resiliente.Há algum personagem ou história no livro que você considere particularmente significativo?
Todos os personagens são de grande importância, pois cada um deles deu seu auxílio em minha metamorfose.Como você acredita que a literatura pode contribuir para a vida dos leitores?
Quando escrevi esse livro, queria apenas deixar minha história vivenciada para pessoas que tivessem interesse em conhecê-la. No entanto, ao contemplar a obra por completo, percebi que poderia transmitir uma mensagem de amor ao próximo para jovens rebeldes que desejam apenas satisfazer seus prazeres, sem medir as consequências de seus atos, e será uma enorme satisfação ouvir de alguém que a minha história transformou a vida de um leitor. Por esse motivo, tenho um grande sonho atualmente. Desejo dar palestras em escolas para alunos adolescentes, passando boas mensagens que transformarão suas vidas.Além da literatura, quais são suas fontes de inspiração para escrever?
Busco muita inspiração na convivência com o próximo. Sempre digo que, se cada um de nós escrever um livro de nossa própria vida, o mundo seria bem melhor, pois cada indivíduo tem uma vida exemplar. Todavia, temos que ser o personagem principal no livro da nossa vida e não ser coadjuvante na história de outra pessoa.O que a literatura e a escrita significam para você?
Significam a evolução do ser humano, pois, sem esses artifícios, a humanidade ainda seria primitiva.Quais são seus planos futuros como escritor? Há novos projetos em desenvolvimento?
Como escritor, não tenho novos projetos, mas, como relatei anteriormente, tenho muita vontade de dar palestras. Gosto muito de ler e escrever, porém a oratória é o meu “ponto forte”. Dou graças ao Criador pela maneira bem articulada com que pronuncio as minhas ideias. Devido a esse fator, obtive bom êxito na prisão, escapando de linchamentos, estupro e até da morte.Que conselho você daria para alguém que está começando a escrever seu primeiro livro?
Organize suas ideias, planeje seu projeto literário e coloque os seus sentimentos no papel, escrevendo em próprio punho, sem corretores ortográficos, e, desta maneira, seu coração estará na ponta de um lápis. Caso erre a frase, você terá uma nova oportunidade de passar uma borracha e recomeçar, assim como é a nossa vida. Posteriormente, peça auxílio de uma editora conceituada, assim como a Viseu, e juntos realizarão o sonho desejado.Eu sou uma lagarta, em metamorfose apresenta um relato marcado pela dor, pelo aprendizado e pela possibilidade de recomeçar. Ao transformar experiências pessoais em literatura, Rodrigo B. Ponsoni convida o leitor a refletir sobre as consequências das escolhas, o valor do perdão e a força da transformação interior.
Mais do que compartilhar uma história de vida, o autor oferece uma mensagem de esperança, mostrando que, mesmo diante das circunstâncias mais difíceis, é possível reconstruir a própria trajetória por meio da fé, da resiliência e do amor ao próximo.
Adquira Eu sou uma lagarta, em metamorfose e acompanhe uma emocionante jornada de superação, transformação e esperança que mostra como a mudança verdadeira pode nascer mesmo nos momentos mais difíceis da vida.