Como será o Brasil em 2050? Em Coração Artificial: Livro I: Brasil 2050, J.P. Bernardes convida o leitor a mergulhar em uma narrativa que combina ficção, tecnologia, política, filosofia e religião para explorar dilemas profundamente humanos. Em um cenário onde os avanços tecnológicos transformam a sociedade, a obra propõe uma reflexão sobre valores, escolhas e o futuro que estamos construindo.
Acompanhando a trajetória de Henrique, um protagonista marcado por conflitos internos e por um talento extraordinário, o romance apresenta personagens que representam diferentes perspectivas sobre virtudes, ambições e o sentido da existência. Mais do que uma ficção ambientada no futuro, a história dialoga diretamente com questões contemporâneas, mostrando que os maiores conflitos continuam acontecendo dentro do coração humano.
Nesta entrevista, J.P. Bernardes compartilha sua trajetória como escritor, as inspirações por trás da obra, seu processo criativo e as reflexões que deseja despertar nos leitores.
Para começar, poderia nos contar um pouco sobre você e sua jornada como autor?
Sou mestre em Engenharia de Software e moro atualmente na Holanda, com minha esposa e três filhas, onde trabalho no principal polo de tecnologia da Europa. Já morei em quatro países e realizei projetos em mais de 15. Desde criança, fui um leitor ávido e, há uns seis anos, comecei a usar o meu tempo disponível, especialmente em aviões e hotéis, para escrever. Em determinado ponto, gostei do resultado e o enviei para amigos, que me incentivaram a publicar o livro.O que o inspirou a escrever o livro?
Acredito que a escrita ordena a nossa mente e as nossas ideias. Uma vez ordenadas, tive o desejo de compartilhá-las. Sempre gostei de livros de fantasia que têm como base os valores e as virtudes da realidade; por exemplo, O Senhor dos Anéis, de Tolkien, e As Crônicas de Nárnia, de C.S. Lewis, são obras de fantasia que, no fundo, trazem uma essência cristã. Como venho da área de tecnologia e estamos vivendo uma revolução com as inteligências artificiais, pensei em criar uma ficção que abordasse esses temas tão atuais, mas fundamentada em valores que espero que sejam reconhecidos por todos.Como a sua experiência pessoal se reflete nos temas abordados no livro?
Tudo o que vivi nos últimos 15 anos implementando projetos de tecnologia em diversos países, lidando com culturas diferentes, está no livro. Assim como minha experiência pessoal de pai de três meninas, católico e leitor ávido dos clássicos da literatura.Pode nos contar um pouco sobre o processo criativo por trás deste livro?
Além dos clássicos da literatura, gosto de ficção histórica, como as obras de Bernard Cornwell e Ken Follett, e admiro a dinâmica de escrita desses autores, com capítulos curtos que prendem a atenção. No meu planejamento, decidi seguir esse estilo. A história fluiu naturalmente, agregando elementos tecnológicos que conheci trabalhando e referências literárias que absorvi lendo muito. Para algumas cenas, no entanto, precisei pesquisar bastante. Por exemplo, a que se passa no Mosteiro de São Bento, em São Paulo. Embora já estivesse familiarizado com o local por tê-lo visitado no passado, tive que aprofundar meus estudos sobre sua história e arquitetura para conseguir escrever. O livro também aborda história e política, temas que estudei para evitar vieses. Inicialmente, pensei na autopublicação, mas percebi que uma editora traz uma experiência valiosa em revisão, diagramação, capa e preparação da obra para o mercado. E, se no começo achei que o livro seria voltado para jovens adultos, hoje arrisco dizer que ele se tornou interessante para quase todos os públicos.Quais foram suas principais referências criativas para escrever o livro?
Minhas referências passam pelas discussões sobre inteligência artificial em A Próxima Onda, de Mustafa Suleyman, e pelo tom distópico no uso da tecnologia de Admirável Mundo Novo e 1984, onde as pessoas são controladas pelo prazer e pela vigilância. Nas virtudes (ou vícios) dos personagens, há uma forte influência de J.R.R. Tolkien e C.S. Lewis, contrastando com A Revolta de Atlas e um toque de Assim Falou Zaratustra. No estilo, como já disse, sigo a linha de Bernard Cornwell e Ken Follett, além de ter me inspirado em políticos e figuras reais do Brasil contemporâneo.Existe algum trecho do livro que você gostaria de citar?
Um dos personagens coadjuvantes, inspirado em pessoas reais, diz: “Usei minhas habilidades, razão e ambição e conquistei muitas coisas, dedicando-me a remodelar o mundo à imagem dos valores nos quais acreditava. Pretendia, com meu orgulho, carregá-lo nos ombros de alguma maneira. Mas o fardo é pesado, e a escolha era enlouquecer ou reconhecer quão pequeno eu realmente era”. Gosto desse trecho porque ele exemplifica o contraste que busco entre Tolkien e Lewis e o pensamento de Ayn Rand e Nietzsche, além de resumir um conflito que acredito que todos nós enfrentamos no mundo atual.Quais foram os principais desafios que você enfrentou ao escrever o livro?
Escrevi a primeira parte do livro durante viagens a trabalho, entre aviões e hotéis. Já para a segunda parte, diminuí o ritmo de viagens para me dedicar à minha esposa e às nossas três filhas pequenas; por isso, foi um desafio encontrar tempo para pesquisar, escrever e, finalmente, lançar a obra.Como você espera que seu livro impacte os leitores?
Espero que as pessoas reflitam sobre no que o mundo pode se transformar se focarmos apenas em eficiência e conquistas materiais, esquecendo que, no fim das contas, a vida é sobre pessoas.Existe uma mensagem principal que você deseja transmitir?
Viva buscando o eterno, que inclui a verdade, as virtudes e o amor. O resto são distrações (ou armas) daqueles que não querem que nos foquemos no essencial.Há algum personagem ou história no livro que você considere particularmente significativo?
Todos os personagens trazem uma mensagem principal, mas, como ocorre com todos nós, ela nem sempre é evidente e leva tempo para maturar. É difícil escolher apenas um. O protagonista é o clássico exemplo de quem desenvolveu as virtudes intelectuais ou técnicas, mas ainda tem um longo caminho no desenvolvimento do caráter (algo tão comum no mundo atual). O livro foi construído sobre o conflito entre vícios (potencializados pela tecnologia e pelo próprio governo) e a mudança de hábitos necessária para desenvolver as virtudes.Como você acredita que a Literatura pode contribuir para a vida dos leitores?
A literatura é a chance de experimentar várias vidas em uma só. Ela expande nossa bagagem muito além das limitações físicas e temporais. O que se aprende com os livros é um presente que ninguém pode retirar do indivíduo. Por isso, para mim, ela é essencial para alcançar uma existência com sentido.Além da literatura, quais são suas fontes de inspiração para escrever?
Viajar e observar as pessoas; visitar lugares históricos, contemplar quadros e ouvir música.O que a literatura e a escrita significam para você?
As pessoas exercitam o corpo nas academias, a mente no trabalho e na literatura técnica. A literatura clássica e a escrita (não técnica) são exercícios para a alma.Quais são seus planos futuros como escritor? Há novos projetos em desenvolvimento?
Sim, a continuação de Coração Artificial será mais um livro. Depois, tenho um projeto interessante na área de ficção histórica com o qual desejo trabalhar.Que conselho você daria para alguém que está começando a escrever seu primeiro livro?
Viver para ter o que contar, ler para aprender a expressar e escrever para dar forma ao pensamento. O erro e a correção fazem parte do processo.Um convite à reflexão sobre o futuro e a natureza humana
Ao unir ficção especulativa, tecnologia e referências filosóficas e literárias, Coração Artificial: Livro I: Brasil 2050 apresenta uma narrativa que vai além do entretenimento. A obra propõe uma reflexão sobre o impacto das escolhas individuais e coletivas em um mundo cada vez mais conectado, sem perder de vista aquilo que torna cada pessoa verdadeiramente humana. J.P. Bernardes estreia na literatura trazendo sua experiência profissional e sua paixão pelos clássicos para construir uma história que dialoga com questões atuais e convida o leitor a pensar sobre o futuro, os valores e o sentido da existência.Adquira Coração Artificial: Livro I: Brasil 2050 e descubra uma narrativa que une tecnologia, filosofia e emoção para provocar reflexões sobre o futuro da humanidade e os valores que moldam nossas escolhas.