Entre o tempo e o amor: uma história sobre recomeços que nunca deixam de existir

Algumas histórias não terminam, apenas adormecem.“Quando você acordar” é um romance que atravessa o tempo para mostrar que certos sentimentos nunca desaparecem, apenas esperam o momento certo para ressurgir. Entre lembranças, silêncios e cicatrizes, acompanhamos Peter e Zara em um reencontro marcado por tudo aquilo que não foi dito, mas nunca deixou de existir.Com uma narrativa sensível e profundamente humana, a obra nos convida a refletir sobre o amor em sua forma mais intensa: aquela que resiste ao tempo, às escolhas e às marcas da vida.Conversamos com a autora para entender mais sobre sua trajetória, inspirações e o processo por trás dessa história que fala diretamente ao coração. Para começar, poderia nos contar um pouco sobre você e sua jornada como autor? Meus pais sempre leram muito, então a presença dos livros sempre foi constante em casa. Quando fiz quinze anos decidi começar a escrever. A partir daí não parei mais, até entrar na faculdade de arquitetura e abandonar a escrita para seguir a carreira de arquiteta, à qual me dediquei por quinze anos, depois de formada. Mas o sonho de voltar a escrever sempre me perseguiu, até que, em dezembro de 2024 decidi dar uma chance para a escrita e, em janeiro de 2025 comecei a escrever o meu primeiro romance. O que o inspirou a escrever o livro? Sempre gostei de observar as pessoas e tentar entender como suas rotinas funcionam, como reagiam aos problemas, ao caos diário e aos momentos de felicidade. Meus pais diziam que a vida de qualquer pessoa dá um romance e a história de toda família dá um bom livro. Eu nunca tinha escrito um romance antes, porque normalmente minhas histórias eram de fantasia. Eu não tinha o hábito de ler romances, mas, assim que decidi voltar a escrever, uma história de amor começou a se desenrolar dentro da minha mente, como algo que só crescia e que precisava sair dali. Foi então que me dediquei a escrevê-la. Como a sua experiência pessoal se reflete nos temas abordados no livro? Várias das minhas experiências pessoais, assim como sentimentos, percepções, observações, estão presentes nos livros. Sejam elas observações de comportamento das pessoas à minha volta, ou meus próprios comportamentos. Escrever sobre algo que não vivemos ou não experimentamos é o mesmo que tentar escrever em uma língua à qual não falamos. Pode nos contar um pouco sobre o processo criativo por trás deste livro? Quando decidi que era hora de escrever essa história, não sabia ao certo como contá-la, e, como não consumia esse tipo de livro, precisei selecionar alguns livros e fazer uma imersão. Li mais de dez livros em dezembro, e escutei uns quinze audiobooks, na tentativa de reconhecer se a minha história faria sentido para os leitores. Depois de toda essa pesquisa entendi que o que eu queria escrever não tinha a ver com as narrativas que são vendidas atualmente, mas decidi continuar com ela, mesmo assim. Reconheci também a ausência de histórias mais leves e sem interrupções bruscas, que era o que eu desejava para o meu livro, e isso me deu ainda mais certeza de que talvez conseguisse publicá-lo. Quais foram suas principais referências criativas para escrever o livro? Minhas referências criativas não foram escritoras, ou escritores, e sim as pessoas com as quais tenho contato, seja a atendente do supermercado, meus irmãos, amigos, um comerciante, crianças, pessoas às quais já convivi anos atrás, todas as pessoas são referências criativas para mim, e isso é presente vinte e quatro horas por dia. Existe algum trecho do livro que você gostaria de citar? Sim, quando Peter diz à Zara: “Não estou aqui para juntar seus cacos. Estou aqui para preencher os vazios com peças novas.” Como você espera que seu livro impacte os leitores? Escrevi este livro para mim mesma, e decidi que seria legal publicá-lo, então a história está longe de ser algo comercial e pensado para vender. Mas, depois que algumas pessoas leram e me deram um feedback, entendi que todos precisamos de finais felizes, amores leves e histórias complexas que nos fazem olhar para dentro e nos enxergar como seres frágeis que cometem erros. Acredito que esse livro fará as pessoas entenderem que no íntimo, todos somos felizes e complexos. E que, o amor é algo que precisa nos completar, e não nos fragmentar. Existe uma mensagem principal que você deseja transmitir? O amor existe para todos, e em todos nós. Seja ele um irmão, uma prima, o marido, a esposa, a avó, todos nós precisamos, e temos, um amor à nossa frente. Todos merecemos ser amados, merecemos ter um melhor amigo, a pessoa que conhece nosso íntimo e olha para ele e fica, mesmo com todos os nossos defeitos. Há algum personagem ou história no livro que você considere particularmente significativo? Sim, para mim foi uma experiência de crescimento emocional escrever o parto da Zara. Porque era algo que estava fora do controle de todos os outros personagens e só dependia dela. É nessa hora que ela acredita em sua força e em sua capacidade. Nessa hora ela se reconhece como a pessoa à qual Peter tentava convencê-la de ser. E entende que realmente merece toda a felicidade que a rodeia. Como você acredita que a Literatura pode contribuir para a vida dos leitores? A literatura nos apresenta diferentes realidades e vivências, o que amplia a visão de mundo e nos trás outras perspectivas, que acabam aumentando nossas experiências e percepções. Além de ajudar no desenvolvimento de senso crítico, incentivando a reflexão sobre muitas questões importantes. Além da literatura, quais são suas fontes de inspiração para escrever? A vida que acontece diariamente, a todo momento. Minhas fontes de inspiração são todas as pessoas com quem esbarro todos os dias, sejam elas as que conversaram comigo ou as conversas que ouvi, tudo serve de inspiração. O que a literatura e a escrita significam para você? Sempre fui uma pessoa introspectiva, que mais ouvia do que falava, e os livros eram para onde eu fugia do mundo

Uma história real sobre superação, fé e recomeço

Baseado em fatos reais ocorridos em 2021, o livro narra a trajetória de uma adolescente em meio às pressões do colégio, amizades e rotina intensa de estudos pré-vestibular, até que um acontecimento inesperado transforma completamente sua vida. Após sofrer um AVC aos 18 anos, ela se vê diante do maior desafio de todos: reaprender, reconstruir e ressignificar a própria existência.Entre internações, reabilitação e o apoio incondicional da família, nasce uma história de força, fé e autoconhecimento. Mais do que um relato de superação, a obra é um convite para olhar para dentro, reconhecer fragilidades e descobrir a potência do próprio “EU”.Nesta entrevista, Gabriella Figueira Custodio compartilha sua jornada, seus desafios e a mensagem que deseja levar ao mundo: a vida continua — e pode florescer novamente. 1) Para começar, poderia nos contar um pouco sobre você e sua jornada como autora? Sou Gabriella Figueira Custodio. Tive um AVC aos 18 anos. No começo, não queria falar sobre isso; depois de um tempo, comecei com minha mãe a registrar como era antes e depois do AVC, e assim começou minha jornada como escritora, despretensiosa, apenas escrevendo cronologicamente tudo ao meu redor. Mostrei meu livro para minha terapeuta, e ela me incentivou a publicar. Minha mãe sempre falava a respeito que seria importante pessoas comuns como eu terem uma direção e saberem que podemos superar nossos obstáculos e servir de InsPirAção. Então comecei a acreditar no meu projeto. 2) O que a inspirou a escrever o livro? Ajudar pessoas como eu a superar obstáculos que a vida nos traz com a minha história. 3) Como a sua experiência pessoal se reflete nos temas abordados no livro? Tudo. Me senti acolhida pela minha família no momento mais difícil da minha vida. Meus pais estavam diariamente comigo, meus familiares, meus amigos, equipe de terapeutas, médicos, enfermagem, fisioterapia, reabilitação nos hospitais, na AACD, CER, ecoterapia. Ou seja, todos os temas estão ligados aos cuidados e à minha evolução. 4) Pode nos contar um pouco sobre o processo criativo por trás deste livro? Sim. A vontade de lembrar como eu era não mudou meu “EU” de hoje. Continuo a mesma, em outra fase da minha vida. Um dia de cada vez. Pensando na minha recuperação, pensei em escrever como é passar por uma doença (AVC) e continuar a viver. Seria possível? Mas, com a presença constante dos meus pais, família e amigos, me ajudaram muito nessa fase. Me senti encorajada para descrever como foram meus dias, para que mais pessoas consigam ter a mesma força de superar cada fase de suas vidas. Essa é a minha fase e tenho muito orgulho de poder divulgar, falar sobre isso, contar minha trajetória e ajudar, de alguma forma, pessoas a se superarem. 5) Quais foram suas principais referências criativas para escrever o livro? Lembro da minha vó Manoela falando: “Um dia de cada vez”, quando eu passava por alguma dificuldade, e isso vinha na minha cabeça sempre. Minha mãe, que me ajuda até hoje nos meus cuidados e ensinamentos de como me cuidar sozinha e ainda me incentiva com as mais diversas rotinas. Meus dias eram cheios, parecia que faltava tempo para fazer tudo. Muitas coisas legais, como realizar leitura de livros para mim — eu mesma escolhia o livro —, nós duas mergulhávamos na emoção de cada um, jogos, falar com meus amigos e familiares pelo WhatsApp, pelo computador. Eu mesma me conectava, e era um dos momentos mais legais dentro e fora do hospital. Meu pai sempre presente, mesmo dividindo seu dia entre trabalho e hospital. Era mágico poder esperar para vê-lo todos os dias, incentivando do jeito dele, mas foi muito importante poder viver tudo isso com eles. 6) Existe algum trecho do livro que você gostaria de citar? Sim. InsPirAção é incentivo. No capítulo 20, pág. 83, diz tudo. Mostra o apoio dos meus pais, família e amigos que não desistiram de me mostrar o amor incondicional na fase mais difícil da minha vida. Meu eterno agradecimento. 7) Quais foram os principais desafios que você enfrentou ao escrever o livro? Relembrar de tudo que vivenciei e passar para o papel. Foi um baque. 8) Como você espera que seu livro impacte os leitores? Inspirar é dar exemplo. De como reconheci minha doença, a superar minhas limitações, o que acontece com várias pessoas, e os caminhos de como podemos superar. Um dia de cada vez. Força de querer viver, superar obstáculos. 9) Existe uma mensagem principal que você deseja transmitir? Força de querer viver, superar suas limitações. Como o amor transmite o remédio necessário para querer superar cada fase, desde uma ligação a um carinho nas terapias. Fui abençoada, cercada por pessoas com imenso carinho e dedicação. Só agradecer a Deus pelas oportunidades. 10) Há algum personagem ou história no livro que você considere particularmente significativo? Sim. Minha mãe, capítulo 12 “Consciência”, pág. 51. Quando eu soube pela minha mãe o que tinha acontecido e de como a corrente de fé foi extremamente essencial. 11) Como você acredita que a literatura pode contribuir para a vida dos leitores? Através de histórias mergulhadas em um mundo paralelo, cheio de vida, cheio de informações. Cabe a nós transformar essa leitura em algo positivo. No meu livro ensino que momentos difíceis passam, basta a gente querer. 12) Além da literatura, quais são suas fontes de inspiração para escrever? Meus pais, exemplo de como ser resiliente em um momento tão delicado, tão difícil como foi minha doença. 13) O que a literatura e a escrita significam para você? Tudo. Adoro ler. Viver experiências nos livros é um meio de viajar nas histórias e de expressar, através de palavras, nossos sonhos. 14) Quais são seus planos futuros como escritora? Há novos projetos em desenvolvimento? Escrever mais. Sim, dar continuidade ao livro, depois escrever outros tipos, como romance, criar sem barreiras, multiplicar emoções escritas através dos livros. 15) Que conselho você daria para alguém que está começando a escrever seu primeiro livro? Tente. Escreva. Coloque no papel sua ideia, refine com

O canto que atravessa gerações e transforma destinos

Em um universo onde natureza, magia e sentimento caminham lado a lado, Ciclos Eternos: O Cântico de Gaya apresenta uma narrativa sensível e simbólica sobre amor, herança espiritual e renascimento. A obra conduz o leitor por uma linhagem marcada por dons, dores e milagres, revelando como cada geração carrega fragmentos das anteriores e como até as perdas podem florescer em novos começos.A história acompanha Gaya, a mãe da Terra, e suas descendentes em uma jornada que atravessa afetos, rupturas e descobertas profundas. Entre bênçãos e maldições, luz e sombra, a trama constrói uma ode à vida em todas as suas formas e convida o leitor a escutar o canto silencioso que ecoa mesmo após o fim.Nesta entrevista, a autora compartilha inspirações, reflexões e bastidores da criação de um livro que une poesia, fantasia e espiritualidade em uma experiência literária sensorial e transformadora. 1. Para começar, poderia nos contar um pouco sobre você e sua jornada como autora? Sou escritora, ilustradora, jornalista formada, arte-terapeuta e uma observadora incurável do mundo. Sempre gostei de histórias — ouvir, contar, reinventar. Na juventude eu fazia zines, escrevia textos, desenhava quadrinhos, e percebo hoje que aquilo já era um ensaio para os livros que viriam. A escrita sempre foi meu jeito de organizar o caos e também de criar mundos onde a esperança tem raízes mais profundas que o medo. 2. O que a inspirou a escrever o livro? Ciclos Eternos nasceu da minha relação com a natureza, com a espiritualidade simbólica e com a ideia de que tudo na vida é cíclico — dor, cura, perdas, recomeços. Eu queria escrever uma história que soasse como um mito antigo, algo que pudesse ser contado ao redor de uma fogueira, mas que também conversasse com questões muito humanas e atuais. Acho que, no fundo, eu queria escrever um conto de fadas para adultos cansados. 3. Como a sua experiência pessoal se reflete nos temas abordados no livro? Acho que todo escritor escreve um pouco de si, mesmo quando está falando de florestas encantadas ou de seres feitos de vento. Os temas de dor, transformação, reconstrução e esperança estão muito presentes na minha vida e naturalmente atravessaram a história. Mas gosto de pensar que não é um livro sobre sofrimento — é um livro sobre sobrevivência, beleza e recomeço, mesmo quando tudo parece ter acabado. 4. Pode nos contar um pouco sobre o processo criativo por trás deste livro? Meu processo criativo é um pouco caótico, um pouco mágico e bastante disciplinado ao mesmo tempo. Muitas ideias surgem como imagens: uma árvore, um personagem, uma cena inteira que aparece na minha cabeça como se eu estivesse assistindo a um filme. Depois vem a parte menos glamourosa, que é sentar e escrever, revisar, reescrever, cortar, ajustar. Escrever um livro é metade inspiração e metade teimosia. 5. Quais foram suas principais referências criativas para escrever o livro? Minhas referências passam bastante pela fantasia e pelo fantástico. J.R.R. Tolkien me influenciou muito na construção de mundo e na ideia de mitologia própria, Clive Barker na forma de misturar beleza com elementos mais sombrios e estranhos, Stephen King na humanidade dos personagens e na maneira como o extraordinário invade o cotidiano, e Neil Gaiman, que escreveu Sandman, na poesia, no simbolismo e na forma de tratar o fantástico como algo íntimo e quase filosófico. Acho que todas essas influências se misturaram com a minha própria voz, como ingredientes de uma mesma poção. 6. Existe algum trecho do livro que você gostaria de citar? Há uma ideia que atravessa o livro inteiro e que gosto muito: a de que o mundo pode esquecer muitas coisas, mas a vida continua cantando. Esse conceito do “canto de Gaya” é, para mim, o coração da história — a lembrança de que sempre existe continuidade, mesmo depois da dor. 7. Quais foram os principais desafios que você enfrentou ao escrever o livro? O maior desafio foi equilibrar poesia e narrativa. Eu gosto muito de linguagem poética, mas também queria que a história tivesse ritmo e envolvesse o leitor. Outro desafio foi não desistir nos momentos em que o livro parecia grande demais — escrever um romance é como atravessar uma floresta longa: às vezes você não vê o fim, mas precisa continuar andando. 8. Como você espera que seu livro impacte os leitores? Espero que o livro seja um lugar de descanso. Que quem leia sinta um pouco de silêncio, de beleza, de respiro. E que talvez, depois de fechar o livro, a pessoa olhe uma árvore, o céu ou até o próprio coração com um pouco mais de atenção. 9. Existe uma mensagem principal que você deseja transmitir? Talvez a mensagem seja que tudo é ciclo. Nada é totalmente fim, nada é totalmente começo. A dor transforma, o amor transforma, o tempo transforma. E mesmo quando algo parece se perder, alguma coisa nova já está nascendo em outro lugar. 10. Há algum personagem ou história no livro que você considere particularmente significativo? Gaya é uma personagem muito significativa para mim, porque ela representa a Terra, a maternidade, o tempo e a paciência. Mas também tenho um carinho especial pelos personagens que são considerados diferentes ou frágeis, porque muitas vezes são eles que carregam a maior força — e isso me parece muito verdadeiro também no mundo real. 11. Como você acredita que a Literatura pode contribuir para a vida dos leitores? A literatura amplia o mundo interior. Ela permite viver outras vidas, compreender outras dores e enxergar perspectivas que talvez nunca encontraríamos sozinhos. E, em um mundo tão barulhento, a leitura ainda é um dos poucos lugares onde o silêncio pode existir. 12. Além da literatura, quais são suas fontes de inspiração para escrever? A natureza é uma das maiores. Caminhar, observar o céu, ouvir o vento — parece simples, mas é de uma riqueza enorme. Também me inspiro em histórias reais, em conversas, em música, em arte e até em coisas muito cotidianas. Às vezes uma frase ouvida ao acaso pode virar um

Colapso, humanidade e instinto: os bastidores de Verdadeiros Animais

E se o mundo perdesse todos os animais de uma vez? Partindo dessa premissa inquietante, o autor Péro Correia constrói uma narrativa intensa sobre sobrevivência, moralidade e a verdadeira natureza humana. Nesta entrevista, ele revela inspirações, desafios e reflexões por trás da obra. Para começar, poderia nos contar um pouco sobre você e sua jornada como autor? Eu sempre fui alguém com a mente muito criativa. Antes mesmo de pensar em escrever um livro, eu já criava muito através da música — sou guitarrista, toco violão — e sempre tive paixão por filmes, séries e videogames, então contar histórias sempre fez parte do meu jeito de existir, mesmo que eu não percebesse. A leitura entrou mais forte na minha vida num momento bem marcante: quando tive a chance de trabalhar com a maior rede social de leitores da América Latina e também com uma editora conceituada aqui no Brasil. Isso me aproximou muito do universo literário e mudou minha forma de enxergar narrativa, escrita e construção de mundo. E aí, quando eu percebi, eu não estava mais apenas consumindo histórias… eu queria criar uma. O que te inspirou a escrever o livro? A ideia nasceu de um jeito bem curioso: de um sonho. Foi aquele tipo de sonho em que você acorda e fica pensando: “Caramba, isso aqui tem algo”. O tema central apareceu muito forte na minha cabeça: como seria um mundo sem animais? E o mais interessante é que, depois desse sonho, eu não consegui simplesmente esquecer. Eu fui alimentando essa ideia aos poucos, pensando nas implicações, imaginando cenas, personagens e, quando vi… já era um universo inteiro se formando dentro de mim. Como sua experiência pessoal se reflete nos temas abordados no livro? Eu acho que o livro conversa comigo em vários níveis, mas o principal é que ele me fez enfrentar um desafio que não era só criativo — era humano. Eu tive que estudar muito para conseguir sustentar esse mundo de forma realista: consequências climáticas, sociais, políticas… e principalmente o que acontece com o ser humano quando ele perde aquilo que acredita ser “normal”. Em Verdadeiros Animais, a catástrofe não é só externa, ela é interna. Porque quando o planeta perde os animais, o que sobra é o ser humano… e nem sempre o ser humano é bonito de ver. Inclusive, isso aparece logo na essência do livro: “Sem os predadores naturais, os verdadeiros animais emergiram.” Então, no fundo, a história também é sobre como a gente reage quando tudo desmorona — e isso tem muita relação com o que eu já vivi, com o que observo do mundo e das pessoas. Pode nos contar um pouco sobre o processo criativo por trás desse livro? O processo foi bem intenso e bem “por camadas”. Eu não consegui escrever como se fosse uma linha reta, porque o tema exige profundidade. Então eu fui construindo por partes: primeiro a base do mundo, depois os personagens, depois os conflitos… e principalmente fui ajustando o tempo narrativo, porque a história atravessa fases diferentes — antes do colapso, o colapso e o que vem depois. Isso exigiu atenção, porque eu queria que cada capítulo tivesse peso e que as mudanças no tempo não confundissem, mas sim aumentassem a experiência. E, para mim, foi quase como montar um quebra-cabeça emocional. Quais foram suas principais referências criativas para escrever o livro? Eu bebi muito de obras que sabem explorar sobrevivência, decadência social e humanidade em ruínas. Algumas das principais referências foram: ● The Last of Us● The Walking Dead● Mad Max● Resident Evil● Eu Sou a Lenda● Game of ThronesEssas histórias me inspiram não só pela ação, mas principalmente pelo que existe por trás: o medo, o colapso da moral, a luta por sentido… e a pergunta que fica sempre no ar: até onde alguém vai para sobreviver? Existe algum trecho do livro que você gostaria de citar? Sim. Tem uma frase que me marcou muito e que carrega uma verdade quase cruel: “Para que haja vida, algo bonito precisa morrer.” Ela dói porque faz sentido. E, quando você para pra pensar, ela é uma premissa muito real dentro da vida — e dentro do livro também. Porque o mundo ali é um lugar onde o preço da esperança é alto demais. Quais foram os principais desafios que você enfrentou ao escrever o livro? Dois pontos foram gigantes para mim. O primeiro foi o tempo narrativo, porque eu queria que tudo tivesse ritmo, impacto e clareza, sem perder a complexidade. E o segundo foi lidar comigo mesmo. Lidar com ansiedade, com autocobrança, com insegurança. Teve momentos em que isso impactou até coisas técnicas, como concordância e ortografia. Mas eu não tenho vergonha disso. Porque esse livro também é uma parte de mim. Ele carrega minhas falhas, minha intensidade, meu esforço — e principalmente minha coragem de concluir algo grande. Como você espera que seu livro impacte os leitores? Eu gostaria que ele fizesse as pessoas refletirem sobre algo simples e profundo: a gente não é o centro do mundo. Sem os animais, o ser humano perde muito mais do que alimento ou ecossistema — ele perde a própria essência. A chama humana se apaga. A vida vira só sobrevivência. Eu queria que o leitor fechasse o livro com uma sensação de respeito maior pela vida, por tudo que existe, e não só pelo que é “útil” para a gente. Existe uma mensagem principal que você deseja transmitir? A natureza não precisa de nós — nós é que precisamos dela. E, quando tudo desaparece, a pergunta vira outra: quem você é quando não há mais nada te segurando? Há algum personagem ou história no livro que você considere particularmente significativo? Sim: Aidan. Porque ele não é um vilão fantasioso. Ele é um espelho do pior que existe no ser humano — e do pior que pode existir em qualquer sociedade quando tudo quebra. Ele representa aquele tipo de pessoa que muitas vezes está por perto, silenciosa… só esperando a oportunidade certa para

Do colapso interior ao despertar espiritual: uma história sobre transformação e propósito

Nesta entrevista, conversamos com o autor Jayson Giordano sobre sua estreia na literatura e os caminhos que o levaram a construir uma narrativa marcada por reflexão e transformação. A obra apresenta a história de Jorge, um gerente de fábrica bem-sucedido, porém profundamente insatisfeito, que mergulha em uma crise existencial e inicia uma jornada de autoconhecimento. Entre a rotina opressiva do trabalho, relações familiares fragilizadas e um despertar espiritual guiado por mentores e práticas como meditação, gratidão e perdão, o livro explora o conflito entre o material e o espiritual por meio de personagens que simbolizam diferentes dimensões dessa busca interior. Ao longo da conversa, o autor revela inspirações, desafios e a mensagem que deseja compartilhar com os leitores. Para começar, poderia nos contar um pouco sobre você e sua jornada como autor? Como autor, essa é minha primeira experiência. Sempre fui um entusiasta da leitura e da escrita, mas, por falta de tempo e por me dedicar à minha profissão (engenheiro), nunca tive muito tempo para escrever; fazia isso nas horas vagas. O que o inspirou a escrever o livro? Iniciei a escrita desse livro há muitos anos, quando senti a vontade de me espiritualizar e busquei o autoconhecimento. Como a sua experiência pessoal se reflete nos temas abordados no livro? Embora não seja uma autobiografia, e sim uma ficção, minha experiência pessoal tem tudo a ver com a história do personagem. Pode nos contar um pouco sobre o processo criativo por trás deste livro? O personagem nasceu baseado na minha vontade de me transformar, então criei o Jorge e o enredo em torno dele com a vivência do que eu tinha misturado com minha imaginação (algo fictício). Não quis focar muito no nome de outros personagens nem no tempo em que as transformações foram acontecendo, justamente para que o foco principal fosse a transformação do protagonista. Quais foram suas principais referências criativas para escrever o livro? Minha jornada de transformação, quando resolvi começar a me espiritualizar. Existe algum trecho do livro que você gostaria de citar? Sim, o Capítulo 3 – O ponto da virada. Quando Jorge entra pela primeira vez em um centro espírita e descreve seus sentimentos e sensações, e o momento em que ele conhece o Milton, um trabalhador da casa que o acolhe com muito carinho. Quais foram os principais desafios que você enfrentou ao escrever o livro? O maior desafio foi o tempo para me dedicar a isso e também saber se eu estava fazendo certo, se a obra ficaria boa. Como você espera que seu livro impacte os leitores? Espero que o livro traga um pouco de esperança e fé para as pessoas enfrentarem os desafios do cotidiano. Existe uma mensagem principal que você deseja transmitir? Que só o autoconhecimento possibilita uma transformação real e, para alcançar o que se busca, as pessoas precisam ter coragem e perseverança para iniciar uma jornada de transformação. Há algum personagem ou história no livro que você considere particularmente significativo? Sim, o Jorge e sua jornada de transformação. Como você acredita que a literatura pode contribuir para a vida dos leitores? Acredito que a literatura, de um modo geral, pode agregar muito conhecimento e entretenimento, principalmente para a nova geração, que está tão focada nas redes sociais. Além da literatura, quais são suas fontes de inspiração para escrever? Também sou desenhista, e essas duas artes, a leitura e o desenho, são minhas fontes de inspiração. O que a literatura e a escrita significam para você? Hoje significam um novo horizonte, que pretendo seguir navegando em direção a novos projetos. Quais são seus planos futuros como escritor? Há novos projetos em desenvolvimento? Sim, pretendo escrever uma continuação contando a vida de Jorge após sua jornada de transformação. Que conselho você daria para alguém que está começando a escrever seu primeiro livro? Persista no seu sonho, mesmo que pareça impossível. Continue: no final, vai valer a pena. Sobre a obra Uma narrativa sensível e reflexiva que conduz o leitor por uma jornada de crescimento interior, mostrando que mudanças verdadeiras começam dentro de nós e se refletem em todas as áreas da vida.

Relações saudáveis começam com consciência

Em um cenário onde relações afetivas muitas vezes se confundem com padrões repetidos e dores antigas, Relações Respeitosas – Reflexões sobre padrões de escolhas afetivas e relações saudáveis, sob o olhar da Terapia do Esquema surge como um convite à clareza. A obra propõe uma reflexão profunda sobre como escolhemos nossos parceiros, por que repetimos certas dinâmicas e como podemos construir vínculos mais seguros e saudáveis.A partir do conceito de “química esquemática” — a tendência inconsciente de nos sentirmos atraídos por pessoas que ativam nossos esquemas emocionais mais dolorosos — o livro oferece uma análise acessível, fundamentada na Terapia do Esquema, combinando ciência, prática clínica e vivência pessoal.Nesta entrevista, os autores compartilham inspirações, desafios e a mensagem central da obra: relações respeitosas não são fruto do acaso, mas do autoconhecimento. 1. Para começar, poderia nos contar um pouco sobre você e sua jornada como autor? A nossa jornada é curtinha ainda. A Bruna participou de um livro técnico na área da Farmácia e depois, nós dois fomos convidados a participar de um livro técnico de Psicologia — Relações Amorosas, Terapia de Casal e Análise do Comportamento, lançado em 2025. Assim, Relações Respeitosas é o nosso primeiro livro. 2. O que os inspirou a escreverem o livro? O capítulo deste livro lançado no início de 2025 era justamente sobre relações respeitosas e relações desrespeitosas. Foi escrito em 2023 e só lançado ano passado. A gente se inspirou neste capítulo. Aprofundamos o tema, trouxemos vários exemplos para ilustrar o que falamos e escrevemos em linguagem acessível ao público geral. Outra mudança é que, no Relações Respeitosas, utilizamos uma abordagem terapêutica diferente, a Terapia do Esquema, para explicar os fenômenos relacionais ilustrados no livro. 3. Como a sua experiência pessoal se reflete nos temas abordados no livro? A gente lida com relações desrespeitosas no dia a dia, através de histórias dos nossos pacientes. Também já estivemos em relacionamentos desrespeitosos! Então, a nossa experiência pessoal está relacionada à nossa própria história de vida. A gente inclusive conta um pouco do nosso relacionamento como forma de ilustrar uma relação respeitosa. 4. Podem nos contar um pouco sobre o processo criativo por trás deste livro? Como havíamos estudado para a produção do capítulo do livro que fomos coautores e o tema era praticamente o mesmo, o processo se deu de forma rápida. Foi uma questão de organizar uma estrutura lógica para mostrar o problema de modo a alcançar não mais um público de profissionais e acadêmicos da Psicologia, mas pessoas comuns em diferentes tipos e estágios de relacionamento. Utilizamos uma base teórica para explicar os fenômenos de uma dinâmica relacional, a Terapia do Esquema, como forma de dar sentido a coisas que simplesmente se repetem. 5. Quais foram suas principais referências criativas para escrever o livro? O livro é cheio de exemplos de casos clínicos ficcionalizados, filmes, séries, músicas, conteúdo de redes sociais, tudo isso para ilustrar as dinâmicas de pessoas em relacionamentos e tornar simples a compreensão do que a gente mostra no livro. 6. Existe algum trecho do livro que vocês gostariam de citar? Vamos deixar duas citações que, no nosso entendimento, dão o tom sobre como todos nós funcionamos em nossas relações: “A infância é o chão sobre o qual caminharemos o resto de nossos dias” — Lya Luft. “Não vemos as coisas como elas são. Vemos as coisas como nós somos!” — Anaïs Nin (atribuído). 7. Quais foram os principais desafios que vocês enfrentaram ao escrever o livro? A escrita foi relativamente fácil e prazerosa. O desafio, na verdade, foi autoimposto: terminar rápido para usar a publicação em alguns projetos que planejamos para o ano seguinte, 2026. Deu certo! 8. Como vocês esperam que seu livro impacte os leitores? Na verdade, os primeiros feedbacks de leitores têm sido impactantes. Não esperávamos tanto, apesar de sabermos que isso seria possível. O conteúdo do livro meio que provoca reflexões profundas do tipo: “descobri que meu casamento de mais de 20 anos é uma relação desrespeitosa e não sei o que faço a partir de agora”; ou “parece que vocês estão falando da minha história”. Teve ainda uma leitora que ficou tão impactada com o que leu que resolveu presentear 10 amigas com exemplares e pactuaram discutir sobre o conteúdo. 9. Existe uma mensagem principal que vocês desejam transmitir? Sim, autoconhecimento! Conhecer a si te dá um poder incrível. Perceber padrões que são repetidos tão somente por conta de familiaridade pode ser penoso — imagine descobrir que vive uma relação desrespeitosa depois de mais de 20 anos juntos! 10. Há algum personagem ou história no livro que vocês considerem particularmente significativo? O livro não tem personagens. Mas, no último capítulo, contamos um pouco da nossa história como forma de ilustrar uma relação respeitosa — imperfeita, claro. Pode parecer improvável, mas algumas pessoas não têm referência do que é uma relação assim simplesmente por não terem convívio com quem pudesse servir de inspiração. 11. Como vocês acreditam que a literatura pode contribuir para a vida dos leitores? A literatura é composta de janelas para múltiplos universos. Tudo que existe está nos livros. A leitura liberta! Talvez nunca se tenha lido tão pouco quanto atualmente, ao mesmo tempo em que nunca foi tão necessário que lêssemos mais. 12. Além da literatura, quais são suas fontes de inspiração para escrever? Sem dúvida, a nossa prática clínica e as trocas com os nossos pacientes são a maior fonte de inspiração para escrevermos. 13. O que a literatura e a escrita significam para vocês? Ainda estamos processando isso. Até pouco tempo atrás sequer havíamos pensado em escrever e hoje temos participações e um livro com um tema de grande relevância e totalmente atemporal. 14. Quais são seus planos futuros como escritores? Há novos projetos em desenvolvimento? Sim! Há um projeto em desenvolvimento. Desta vez como organizadores de um livro com 25 coautores. 15. Que conselho vocês dariam para alguém que está começando a escrever seu primeiro livro? Diríamos para este novo escritor empenhar-se, reler o texto inúmeras vezes, refazer

Mistério, sobrenatural e investigação: os bastidores de O Circo do Senhor Farfalle

Entre enigmas, reflexões e uma atmosfera circense incomum, o livro convida o leitor a assumir o papel do próprio detetive e mergulhar em uma trama que mistura suspense, ficção científica e elementos sobrenaturais. Nesta entrevista, o autor revela sua trajetória, inspirações e o processo criativo por trás da obra. 1. Para começar, poderia nos contar um pouco sobre você e sua jornada como autor? Nasci na cidade de São Paulo no finzinho dos anos 80, porém morei junto com os meus pais na cidade de Osasco até o começo dos anos 2000. Já nesta época me interessava por literatura fantástica, filmes de terror e RPG (Role Playing Game). Quando me mudei para São Paulo, fui me interessando ainda mais pela leitura e escrita e me arrisquei a escrever contos de terror, mas sempre algo bem mais intimista. Anos depois, já de volta à Osasco, vi alguns amigos publicando obras e me despertou aquele hobby de adolescente de escrever novamente, agora com intuito de publicar e demonstrar minha arte para mais pessoas poderem apreciar. 2. O que o inspirou a escrever o livro? Gosto muito de cultura pop em geral, espiritualidade e ficção científica. A ideia do ambiente circense veio principalmente de jogos e livros um pouco desconhecidos pelo público em geral que colocam o sobrenatural neste cenário que habitualmente é puro, divertido e descontraído. A estranheza e a confusão ao se deparar com uma ambientação totalmente diferente do que deveria apresentar deixam a mente humana interessada em descobrir os motivos que levam O Circo do Senhor Farfalle a ser diferente dos circos convencionais. 3. Como a sua experiência pessoal se reflete nos temas abordados no livro? Esta é uma boa pergunta. Na minha época de adolescência quando apenas escrevia contos para mim mesmo, o foco era apenas criar histórias com doses de terror psicológico para testar minha criatividade. Após experiências sobrenaturais pessoais que presenciei por mim mesmo, como viagens astrais; clarividências; clariaudiências e interesses por esoterismo como tarô; mapas astrais; etc., minha visão de mundo mudou. Passei a desejar compartilhar meus conhecimentos do sobrenatural junto com minha escrita ficcional, colocando os leitores no questionamento: “Onde a ficção nesta obra acaba e a realidade começa?” 4. Pode nos contar um pouco sobre o processo criativo por trás deste livro? O desejo de escrever um livro em segunda pessoa, para as pessoas imergirem dentro do(a) personagem do(a) detetive, sem um gênero definido para que qualquer um que lesse puderem se sentir como o(a) próprio(a) detetive por parte da trama, foi sempre o desafio principal a que me coloquei. O cenário do circo envolto em uma trama policial com tons sobrenaturais e toques de ficção científica foi outro ponto. A partir daí, os personagens foram surgindo naturalmente de modo que eles tivessem uma personalidade que impulsionasse a história para a frente, interagissem entre si e trouxessem humanidade para um ambiente recheado de mistérios. Idealizei o final do livro primeiro, para depois imaginar o que poderia ter desencadeado para chegar até ali. No começo pensei ser de grande dificuldade realizar a criação de forma invertida, mas nesta obra em específico funcionou muito bem para mim. 5. Quais foram suas principais referências criativas para escrever o livro? O Circo do Senhor Farfalle é uma obra que mistura diversos itens de cultura pop como jogos, filmes, esoterismo e a própria literatura. Porém, ele apresenta itens únicos com o intuito de fazer o leitor adentrar um universo pela primeira vez. Posso citar André Vianco e H.P. Lovecraft como minhas maiores inspirações, mas seria injusto não mencionar J.K. Rowling, R.L. Stine, Robert Eggers e Quentin Tarantino. Devo estar esquecendo de diversas influências que me transformaram em quem sou hoje, desde as mais antigas até as mais recentes, mas o mais justo seria dizer que o livro pega um pouquinho do estilo de cada um para criar o meu próprio estilo. 6. Existe algum trecho do livro que você gostaria de citar? “Isso é o que chamamos de piada universal”, dito por uma das personagens, é o trecho que, para mim, resumiria o livro. A Piada Universal é o conceito de que sabemos tão pouco sobre o universo e a existência da vida que nem sequer podemos afirmar que há um fim para o aprendizado e descobrimento de novas visões de mundo. Sempre que aprendemos algo novo, nos propomos a descobrir uma próxima coisa e nunca nos damos por satisfeitos. Até onde essa busca por conhecimento e a existência do espírito vai? Ela sequer tem um fim? E, caso ela não tenha um fim, seria isso um problema ou uma dádiva? 7. Quais foram os principais desafios que você enfrentou ao escrever o livro? Escrever um livro inteiro é algo que exige disciplina e consome bastante tempo. Tendo um trabalho CLT, com uma criança pequena em casa… sobrava pouco tempo para produzir um livro de qualidade que me agradasse e agradasse quem iria ler a obra. A minha solução foi simplesmente me divertir com a escrita, da mesma forma que eu me divertia escrevendo contos na adolescência, como um hobby. Ao mesmo tempo que eu me obrigava a ter constância praticamente diária na escrita, eu sabia que escrever não seria um fardo e sim um prazer ao trazer vida para este universo que merecia sair de dentro da minha cabeça para as páginas de papel. 8. Como você espera que seu livro impacte os leitores? Espero que os leitores de fato imerjam dentro do(a) personagem detetive e analisem cada ponto de reflexão dele(a). Tomem por si próprios a decisão do que é mito e o que é real, a decisão de quem está certo e quem está errado, e a decisão para si do que devem trazer para suas próprias vidas e do que devem manter apenas nas páginas do livro. Desejo que os leitores compreendam a reflexão que o livro pretende trazer e o passatempo divertido que ele procura proporcionar. Quero que, ao finalizarem o livro, tenham certeza e confiança de que o impacto que O Circo

Traídos e Atraídos: segredos, paixões e redenção no romance de Lillo Medeiros

Em Traídos e Atraídos, Lillo Medeiros constrói um romance de entretenimento marcado por relações intensas, segredos familiares e revelações capazes de mudar destinos. A obra aborda temas como o amor proibido, a superação da perda, a busca pela verdade e a força dos laços familiares, mostrando que, mesmo diante das maiores adversidades, a capacidade de amar e perdoar é essencial para a reconstrução da vida. Nesta entrevista ao blog da Editora Viseu, o autor fala sobre sua trajetória literária, o processo criativo por trás do livro, suas inspirações e os desafios de escrever uma história atravessada por paixões, crimes, redenção e reconciliação. Para começar, poderia nos contar um pouco sobre você e sua jornada como autor? A minha veia literária começou a dar sinais de vida já na juventude. Comecei escrevendo artigos para o tabloide do Colégio D. Pedro II, impresso em mimeógrafo a álcool. Mais tarde, fui redator do Jornal da União Blumenauense de Estudantes e depois auxiliar de redação do jornal A Nação, onde pude conhecer Assis Chateaubriand. Já formado em Direito e casado, dediquei-me ao estudo da minha primeira profissão e escrevi Direitos e Obrigações do Representante Comercial (Editora Juruá). Este primeiro livro deu origem a outro: Comentários ao Código de Ética do Representante Comercial. O terceiro livro foi voltado para a fé: Vígolo, o Caminho de Santa Paulina. Depois de escrever e publicar em jornais locais, a Universidade do Sul de Santa Catarina resolveu publicar uma coletânea das minhas crônicas jurídicas, que, na verdade, eram uma ironia ao comando da Justiça, mas sempre embasadas em casos reais; por isso, o livro foi chamado de Causos Jurídicos. Quando escrevi Lilla, um livro para quem gosta de cachorros, relatei as façanhas de uma cachorrinha. Neste livro, brinquei dizendo que apenas o digitei, pois a história me fora narrada pela cachorrinha Lilla, e por isso todas as palavras foram escritas numa visão canina do mundo e na primeira pessoa. A minha transformação para romancista foi casual, pois eu pretendia apenas escrever uma crônica sobre um dos casos em que advoguei, que tratava de um naufrágio criminoso. Em respeito ao sigilo profissional, troquei os nomes dos envolvidos e até o local, transportando o fato para o litoral norte de Portugal. Depois de horas de escrita, fui conferir o texto para uma prévia avaliação e me assustei, pois não daria para ser uma crônica: já somavam 39 páginas em tamanho A4. A Célia, minha amada, não se conformou com a minha decepção e, depois de avaliar o resultado das tantas horas em frente ao computador, que eu dizia terem sido perdidas, sentenciou: “Você começou um romance que pode dar um bom livro! Agora continue!”. Dali para frente, entrei de cabeça em uma história de amor e poucas horas por dia me afastava do computador. O resultado foi Rosa e Seus Amores, publicado pela Editora Viseu e depois contemplado com o terceiro lugar no Prêmio Ecos da Literatura 2024. A experiência de escrever um romance me empolgou e, novamente, mergulhei em uma nova história, cujo resultado foi Traídos e Atraídos, recentemente publicado pela Editora Viseu, agora nas versões física, e-book e audiobook. O que o inspirou a escrever o livro? Depois de escrever dois livros técnico-jurídicos, um sobre fé e mais dois de crônicas, aventurei-me em um romance que resultou em Rosa e Seus Amores. Ao escrever um romance, senti um envolvimento emocional que realmente fez a diferença. E, depois da projeção do primeiro romance, mergulhei de cabeça em Mariana, cujo título, ao longo da criação, passou para Traídos e Atraídos. Quanto à inspiração, posso dizer que, depois de ter em mente o início de uma história, ela flui linha após linha. É um processo natural e gratificante, pois escrever um romance não é como escrever crônicas, já que exige uma continuidade constante. É uma imersão na própria mente. Como a sua experiência pessoal se reflete nos temas abordados no livro? Como a trama flui de forma constante, cada livro é uma experiência excepcional, pois o autor sente-se dentro da sua própria história e passa a inserir nela tópicos do seu dia a dia. Pode nos contar um pouco sobre o processo criativo por trás deste livro? Ao escrever Traídos e Atraídos, a carga emocional foi grande. Pela complexidade do desenrolar da trama, houve momentos em que eu mesmo derramei lágrimas no teclado, a ponto de ser zoado por minha esposa. É estranho imaginar como uma história pode emocionar o próprio autor, mas acontece. Quais foram suas principais referências criativas para escrever o livro? Brinco dizendo que um romancista, enquanto envolvido com sua história, não dorme; apenas dá uma relaxadinha, pois às vezes uma ideia surge até entre um cochilo e outro. Verdade: às vezes a inspiração vem até através de sonhos; outras aparecem na mente do autor como um registro de algo que ele assistiu, presenciou ou mesmo ouviu. Lógico que essas inspirações não devem resultar em plágio, pois apenas complementam a inventividade. Existe algum trecho do livro que você gostaria de citar? Nas entrevistas que dou, sempre me esquivo de dar algum spoiler, mas há um trecho do livro que posso adiantar, afinal o encontro entre eles, depois de tanto tempo, é representado na capa: “No gigante aeroporto de Heathrow, o voo de Mariana havia sido anunciado e ela, depois da alfândega, dirigia-se para a aeronave num daqueles largos corredores separados por uma parede de vidro, de onde se podia ver, do outro lado, as pessoas que acabaram de aterrissar. Ela, com a mente focada nas ideias que aplicaria no projeto recém-contratado, viu do outro lado da transparência, vindo em sentido contrário, uma pessoa que lhe era conhecida e que já ocupara o centro de seu coração. Ao reconhecer Gustavo, ela parou. Ele vinha apressado e, assim que a viu, cessou a caminhada, deixando no chão a maleta que trazia nas mãos. Ficaram alguns segundos parados, um diante do outro, apenas separados pela parede de vidro, olhando-se nos olhos sem conseguir dizer uma só palavra. Os corações dos dois

Anjos de Porcelana: desvende o mistério da Colina Ensolarada no novo romance de Bettina Stingelin

Em Anjos de Porcelana, Bettina Stingelin conduz o leitor por um enigma sombrio ambientado nos corredores da Colina Ensolarada, uma antiga mansão que abriga um lar para idosos e guarda mais segredos do que aparenta. Após testemunhar o transporte de um corpo durante uma noite de tempestade, Cristina tenta denunciar um assassinato, mas sua palavra é colocada em dúvida por conta de sua condição. É a partir desse relato desacreditado que Margarete, uma viúva astuta e observadora, inicia uma investigação discreta, onde cada morador, funcionário e cada objeto pode esconder uma pista. Com uma trama marcada por mistério, tensão psicológica e reviravoltas, o livro constrói um quebra-cabeça em que nada é exatamente o que parece. Nesta entrevista ao blog da Editora Viseu, Bettina fala sobre sua trajetória, as inspirações por trás da obra e os bastidores da criação desse romance policial que desafia certezas e revela verdades ocultas. Para começar, poderia nos contar um pouco sobre você e sua jornada como autora? Minha trajetória como autora começou em 2013, quando fui convidada por uma editora para escrever duas histórias para uma coleção de livros infantis. Eu não possuía experiência na escrita de ficção, apenas na escrita acadêmica por conta da minha formação em História, mas o resultado foi tão bom que eles me pediram para escrever mais duas e, na sequência, publiquei mais dois livros por conta própria. Apesar disso, a minha vontade era escrever livros de suspense e crime, mas, por alguma razão, eu sempre acabava adiando, embora já tivesse um livro engavetado. Em 2020, tomei coragem, finalizei esse livro e o publiquei. O livro era Treze Bonecas, que, para minha surpresa, foi bem recebido, tendo chegado ao sexto lugar no ranking da Amazon em sua categoria. Nos anos seguintes, lancei o livro A Coruja Preta, que ganhou o prêmio de Destaque no VII Prêmio ABERST de Literatura, e participei, com contos, em três ocasiões, da revista Mystério Retrô. Agora, lanço Anjos de Porcelana. O que a inspirou a escrever o livro? Este livro é, na verdade, uma homenagem à minha mãe e à minha avó, ambas já falecidas. O enredo da história foi uma ideia da minha mãe há muitos anos, que agora senti vontade de pôr no papel. Minha avó era uma pessoa muito inteligente e perspicaz e tinha um humor ácido, muito proveniente de sua ascendência germânica. Ela foi a inspiração para a personagem Margarete, que investiga o crime. Como a sua experiência pessoal se reflete nos temas abordados no livro? Todos os meus livros contêm um pouco das minhas experiências pessoais, não há como não ter. Acho que a escrita, para mim, é uma forma de elaborar muitos traumas, impressões e também, claro, uma forma de exercitar a imaginação e dar sentido a coisas que não compreendo. Pode nos contar um pouco sobre o processo criativo por trás deste livro? Eu tenho um processo criativo muito fluido. Quando já sei sobre o que escreverei, o restante vai se desenrolando à medida que vou escrevendo. Quais foram suas principais referências criativas para escrever o livro? Com certeza, Agatha Christie. Existe algum trecho do livro que você gostaria de citar? Gosto muito do trecho de abertura do livro, em que faço alusão aos anjos de porcelana que pertenceram à minha mãe. “O vento invadiu o quarto de repente, fazendo a cortina estremecer como se levasse um choque. Esta, por sua vez, depois de chacoalhar, lançou-se contra a estante, roçando o tecido fino e delicado nos três anjos de porcelana que a enfeitavam. Eram brancos, vestiam uma longa túnica e, apesar de não possuírem olhos, pareciam encarar o teto ou algo muito mais além.” Quais foram os principais desafios que você enfrentou ao escrever o livro? Acho que conciliar a escrita com as outras funções que exerço, porque, uma vez que mergulho em uma história, costumo ficar tão imersa que, às vezes, esqueço do resto. Como você espera que seu livro impacte os leitores? Como se trata de um livro de romance policial, minha principal intenção é que o leitor se sinta instigado, desafiado, que realmente se sinta entretido com a leitura. Mas também gostaria que o livro fizesse o leitor pensar a respeito da velhice e de como tratamos as pessoas depois que elas envelhecem. Existe uma mensagem principal que você deseja transmitir? Que ainda há vida, desejos e expectativas, além de muita sabedoria, nas pessoas idosas. Precisamos ressignificar a maneira como enxergamos a velhice, especialmente quando se trata das mulheres. Há algum personagem ou história no livro que você considere particularmente significativo? Há trechos do livro que falam de uma lenda sobre a Colina Ensolarada, o lar de idosos onde a trama se passa. Essa lenda diz que o lugar possui câmaras secretas, construídas no passado para abrigar nazistas. Essa história, na verdade, circulava na cidade em que nasci, em relação a um ponto turístico de lá. Como você acredita que a literatura pode contribuir para a vida dos leitores? A literatura não é apenas um passatempo, mas um exercício que nos possibilita expandir nossa consciência, refletir e ampliar nossas formas de enxergar o mundo. Além da literatura, quais são suas fontes de inspiração para escrever? O cotidiano e, principalmente, as relações humanas. O que a literatura e a escrita significam para você? A escrita é a forma como converso com o mundo, como expresso o que vai em minha alma. É o que me dá sentido para a minha existência. E, se hoje escrevo, é porque um dia comecei a ler, porque aprendi lendo e me dedicando à literatura. Não há uma coisa sem a outra. Quais são seus planos futuros como escritora? Há novos projetos em desenvolvimento? Sim, atualmente estou escrevendo a continuação do livro Treze Bonecas, que se chamará Bem-vindo a Bellajur. Que conselho você daria para alguém que está começando a escrever seu primeiro livro? Leia muito e não tenha medo de escrever, desagradar e errar. A constância e a resiliência fazem o bom escritor. Adquira agora Anjos de Porcelana ,

A Metamorfose: O Guia Definitivo para Entender por que Você é o Inseto

Você já se sentiu um inseto no seu próprio quarto? “Ao despertar certa manhã de sonhos intranquilos, Gregor Samsa encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso.” Com esta frase, uma das mais famosas e impactantes da literatura mundial, Franz Kafka nos joga, sem nenhuma explicação, no coração do absurdo. Não há prelúdio, não há causa. Apenas o fato, brutal e inexplicável. A Metamorfose, publicada em 1915, não é uma história sobre um homem que vira um inseto.É uma história sobre a alienação, a solidão e a desumanização que se escondem sob a superfície da nossa vida cotidiana. Kafka não escreveu uma fantasia; ele escreveu um diagnóstico.E o paciente, mais de um século depois, ainda somos nós. Este guia é uma jornada para dentro do casco de Gregor Samsa, para entender por que sua tragédia silenciosa ecoa tão profundamente em nosso mundo moderno. Ficha Técnica e Contexto Histórico Para entender a angústia claustrofóbica de A Metamorfose, é preciso entender o mundo de Franz Kafka: o Império Austro-Húngaro no início do século XX, um caldeirão de burocracia, tensões sociais e uma crescente sensação de impotência do indivíduo perante sistemas opressores. A obra é um reflexo da ansiedade de uma era e da vida pessoal do autor, marcada pela relação conturbada com o pai e por um sentimento de inadequação. Ficha Técnica Título Original: Die Verwandlung Autor: Franz Kafka Ano de Publicação: 1915 Gênero: Novela, Ficção Absurda, Modernismo Narrador:Terceira pessoa, limitado à perspectiva de Gregor Ambientação:Praga, em um apartamento da classe média baixa Contexto:Início do século XX, pré-Primeira Guerra Mundial A genialidade de Kafka está em narrar o evento mais fantástico com a linguagem mais banal e burocrática possível. O tom do narrador é frio, quase jornalístico, o que torna a situação de Gregor ainda mais perturbadora. O absurdo não está apenas na transformação, mas na normalidade com que todos, inclusive o próprio Gregor, tentam lidar com ela. Resumo Detalhado da Obra: A Desintegração de um Homem A novela é dividida em três partes, que marcam os estágios da desumanização de Gregor e da transformação de sua família. Parte 1: O Absurdo e a Preocupação com o Trabalho Gregor Samsa, um caixeiro-viajante, acorda e percebe que seu corpo mudou.Ele agora tem um casco duro, múltiplas perninhas que se agitam descontroladamente e uma nova forma que o impede de sair da cama. Sua primeira reação não é de pânico ou desespero existencial.É de ansiedade prática. Ele está atrasado para o trabalho.Ele vai perder o trem.O que seu chefe vai pensar? A dívida de seus pais, que ele está pagando com seu emprego miserável, pesa em sua mente. A família — pai, mãe e a irmã, Grete — bate à porta, preocupada com o atraso.O gerente da firma onde ele trabalha chega para cobrar sua ausência. A pressão aumenta. Com um esforço hercúleo, Gregor consegue rolar para fora da cama e abrir a porta com a boca. A cena é de horror. O gerente foge apavorado.A mãe desmaia.E o pai, com uma expressão de fúria, o enxota de volta para o quarto com uma bengala e um jornal, como se espanta um animal. Parte 2: O Confinamento e a Perda da Humanidade Gregor agora está preso em seu quarto. Sua única conexão com o mundo é sua irmã, Grete, de 17 anos, que assume a tarefa de alimentá-lo. No início, ela o faz com uma mistura de compaixão e repulsa, tentando descobrir do que ele gosta de comer (agora, restos de comida estragada). Gregor, de seu canto escuro, observa a vida da família continuar sem ele.Ele ouve as conversas.Percebe as dificuldades financeiras. Ele, que era o provedor, agora é um fardo. Sua transformação física começa a afetar sua mente. Ele se sente mais à vontade na escuridão, sobe pelas paredes e pelo teto. Grete, percebendo isso, decide tirar os móveis do quarto para lhe dar mais espaço. A mãe, no entanto, se desespera com a ideia, vendo-a como o ato final de apagar a identidade humana de seu filho. Em um confronto, Gregor, tentando proteger um quadro na parede — sua última ligação com o passado —, assusta a mãe, que desmaia novamente. O pai chega e, em um acesso de raiva, atira maçãs em Gregor. Uma delas se aloja em suas costas, causando um ferimento grave que nunca cicatrizará. Parte 3: A Rejeição Final e a Morte Libertadora O ferimento da maçã debilita Gregor. A família, agora sobrecarregada com o trabalho e a falta de dinheiro, mal tem tempo ou paciência para ele. Contratam uma faxineira que não tem medo dele, tratando-o com uma indiferença cruel. Para conseguir mais dinheiro, a família aluga um dos quartos para três inquilinos, homens barbudos e sérios que exigem ordem e limpeza. Gregor é agora uma vergonha, um segredo sujo escondido no quarto dos fundos. O clímax da rejeição acontece em uma noite em que Grete toca violino para os inquilinos. Atraído pela música, Gregor, em um último impulso de se conectar com a beleza e com sua família, se arrasta para fora do quarto. Os inquilinos o veem e ficam horrorizados.Eles se recusam a pagar e ameaçam processar a família. É a gota d’água. Grete, a última a ter alguma compaixão por ele, explode.Ela se recusa a chamar “aquilo” de irmão e declara que eles precisam se livrar do monstro. Gregor, ouvindo tudo, entende. Ele se arrasta de volta para seu quarto, fraco e faminto. Naquela noite, pensando em sua família com uma estranha ternura, ele morre. Na manhã seguinte, a faxineira encontra seu corpo seco e o varre para fora. A reação da família não é de luto, mas de alívio. Eles se sentem livres de um peso enorme. O pai expulsa os inquilinos, e a família decide tirar o dia de folga. Eles pegam um trem para o campo, fazem planos para o futuro e observam Grete, que se tornou uma jovem bonita e cheia de vida. A morte do inseto é o renascimento da família.A metamorfose de Gregor permitiu a metamorfose deles.

O Que É Sinopse e Como Escrever uma que Vende Sua Obra

A sinopse é uma ferramenta indispensável no universo da literatura e do cinema. Ela não apenas oferece uma visão geral do conteúdo de uma obra, mas também atua como a primeira e, muitas vezes, mais crucial ferramenta de vendas da sua ideia. Mas o que realmente significa sinopse? E por que ela é tão importante para autores, cineastas e até mesmo no mundo dos negócios? Neste artigo, vamos explorar o significado, a importância e as características de uma sinopse eficaz. Você aprenderá a criar resumos envolventes, descobrindo como essa pequena peça de texto pode transformar a percepção da sua obra. Prepare-se para mergulhar neste universo! Tudo o que você precisa saber sobre O Que Significa Sinopse? Definição e Origem A sinopse é um resumo breve e conciso que destaca os pontos principais de uma história ou conteúdo. Sua origem remonta ao grego antigo. A palavra “sinopse” deriva de “sýnopsis“, que significa “visão geral“. Essa visão geral é essencial para captar a atenção do público de forma imediata. A sinopse não é apenas um resumo. Ela é uma ferramenta eficaz de comunicação, que sintetiza informações complexas em poucas palavras. Em tempos antigos e modernos, a sinopse é indispensável. Ela serve como um guia rápido para editores, produtores, marqueteiros e, o mais importante, para o público final, ajudando-o a decidir se vale a pena investir seu tempo na obra. Características da Sinopse: O que Não Pode Faltar Uma boa sinopse precisa ser clara e direta, atraindo rapidamente a atenção. Ela tem o papel de instigar a curiosidade, mas deve ser escrita sem revelar todos os detalhes cruciais (sem spoilers). É um convite a querer saber mais. Para ser eficaz, ela precisa conter certos elementos cruciais: Tema Principal: A linha geral da história. Personagens Principais: Quem move a história e suas motivações. Conflito/Problema Central: O núcleo da narrativa e o que está em jogo. Ambiente: Onde e quando a história ocorre (se for relevante). Tom Adequado: O estilo da escrita deve corresponder ao público-alvo (Ex: uma sinopse para crianças é diferente de uma para adultos). Sem esses componentes, as partes essenciais de uma história podem se perder, causando desinteresse no potencial público. Gênero Textual Sinopse: Onde e Como é Usada A sinopse é um gênero textual versátil, aparecendo em diversos contextos e formatos. Contexto Aplicação Comum Finalidade Literatura e Cinema Livros, Filmes, Séries Despertar o interesse e atrair público e mídia. Acadêmico Resumos de Tese, Artigos Dar uma visão geral dos objetivos e métodos do estudo. Comercial/Empresarial Apresentações, Propostas Sintetizar dados importantes e atrair investidores. Eventos Convites e Programações Captar a atenção de possíveis participantes. Cada aplicação exige uma abordagem única e adaptada ao seu público-alvo, garantindo que a mensagem seja transmitida de forma eficaz e cativante. Qual a Finalidade da Sinopse? A sinopse cumpre um papel crítico: introduzir uma obra e ajudar o público a decidir se deve continuar com a leitura ou visualização. A importância da sinopse se manifesta em vários aspectos: Atratividade: Desperta curiosidade no público-alvo. Criação de Expectativas: Oferece pistas sobre o que esperar, facilitando a escolha de conteúdo. Clareza e Decisão: Sintetiza informações complexas em um formato fácil de digerir, auxiliando em decisões rápidas (especialmente em contextos de negócios). A sinopse é, portanto, uma ferramenta poderosa de comunicação que estabelece uma conexão inicial e decisiva entre a obra e o destinatário. Como Escrever uma Boa Sinopse: Passo a Passo Escrever uma sinopse eficaz é uma arte que deve capturar o cerne da obra e atrair o leitor ou espectador, sem revelar o final. Passos para guiá-lo: Identifique o Tema Central: Defina o foco da história, a trama principal e os personagens essenciais. Inicie com um Gancho: Prenda a atenção logo no início com uma frase impactante. Resuma sem Detalhar: Aborde o início, o meio e o clímax, mas evite detalhes excessivos. Seja conciso. Use Linguagem Envolvente: Utilize frases curtas, diretas e com um tom apropriado ao gênero. Mantenha a Coerência: Garanta que o texto flua bem e esteja adequado à sua audiência. Revise para Claridade: Releia para evitar ambiguidades e corte tudo que for irrelevante. O que Evitar ao Criar uma Sinopse Spoilers Excessivos: Não revele o desfecho da trama ou reviravoltas cruciais. Detalhes Irrelevantes: O excesso de detalhamento sobrecarrega e dispersa o foco. Linguagem Confusa: Evite jargões ou termos muito técnicos, a menos que o público-alvo exija. Tipos de Sinopse: Exemplos e Aplicações A sinopse deve ser adaptada ao seu propósito e gênero. Sinopse de Filme (Exemplo Prático) Uma boa sinopse de filme deve captar a premissa principal de forma concisa e instigante. Thriller de Ação: Destaque o protagonista, seu principal desafio e o que está em risco. Revele apenas o suficiente para provocar suspense. Drama: Foque nas emoções, nas experiências humanas e como os personagens evoluem diante do conflito central. Sinopse de Livro (Exemplo Prático) Deve capturar a essência da história, de modo que o leitor sinta curiosidade e empolgação para ler mais. Romance: Foque na jornada e nos dilemas dos personagens, destacando os conflitos e relacionamentos principais para criar uma conexão emocional. Não-Ficção: Enfatize o problema central que o livro resolve e a abordagem única do autor, provocando interesse pela originalidade do conteúdo. Modelos por Gênero: Gênero O que Enfatizar Romance Dilema amoroso central e desenvolvimento dos protagonistas. Ficção Científica Universo futurista, inovações tecnológicas e o grande “O quê se?” da trama. Terror Atmosfera de suspense, mistério e a ameaça iminente. Dicas Finais para Criar Sinopses Envolventes Criar uma sinopse envolvente é uma arte que requer sutileza e prática. Seja Conciso: Economize palavras, mas mantenha o impacto. Cada palavra precisa contar. Use Apelo Emocional: Tente se conectar com o leitor emocionalmente, insinuando o que ele sentirá ao consumir a obra. Gancho Inicial: Prenda a atenção nas primeiras linhas. Peça Feedback: Uma segunda ou terceira opinião pode ser valiosa para garantir que a mensagem esteja clara e intrigante. O Poder da Primeira Impressão A sinopse é vital em diferentes ambientes culturais e comerciais. Ela é a primeira impressão da sua obra e, muitas vezes, a

Melhores livros de todos os tempos

Melhores livros de todos os tempos A literatura tem o poder de transcender o tempo e o espaço, oferecendo insights profundos sobre a condição humana e proporcionando um refúgio para a imaginação. Ao longo dos séculos, muitos livros se destacaram como obras-primas, influenciando gerações e moldando culturas de maneiras que vão além das palavras impressas. Neste artigo, exploraremos alguns dos melhores livros de todos os tempos, obras que continuam a inspirar e desafiar leitores em todo o mundo, mantendo-se relevantes mesmo em um mundo em constante mudança. Um dos principais critérios para considerar um livro como um dos “melhores” é sua influência duradoura. Livros que moldam o pensamento cultural e social, afetando a maneira como as sociedades percebem e compreendem o mundo, têm um impacto que se estende por gerações. Exemplos disso incluem obras que geram movimentos culturais ou que introduzem novas ideias que desafiam o status quo. A capacidade de um livro influenciar não apenas seus leitores diretos, mas também a sociedade em geral, é um testemunho de seu poder duradouro. A profundidade dos temas abordados é outro fator crucial. Livros que exploram questões universais e atemporais, como amor, morte, poder, e liberdade, tendem a ressoar com um público amplo. Esses temas não apenas entretêm, mas também educam, oferecendo novas perspectivas sobre questões essenciais da vida humana. A habilidade de um autor de capturar a complexidade da experiência humana em suas histórias é um fator que frequentemente distingue os livros “melhores” dos demais. A inovação no estilo ou na narrativa pode definir um livro como uma obra-prima. Livros que desafiam as convenções literárias, introduzindo novas técnicas narrativas ou estilos de escrita, podem redefinir o que é possível na literatura. Essa inovação pode envolver o uso de novos formatos, estruturas de enredo não lineares, ou a introdução de novas vozes e perspectivas. A originalidade e a capacidade de inovar são frequentemente o que faz um livro se destacar e ser lembrado. Por fim, a capacidade de um livro de ressoar emocionalmente com os leitores é essencial. Livros que tocam o coração dos leitores, evocando emoções profundas e criando uma conexão pessoal, tendem a ser lembrados e valorizados. Essa conexão emocional pode ser o que leva um livro a ser lido e relido ao longo do tempo, criando um vínculo duradouro entre a obra e seus leitores. A universalidade da experiência emocional capturada em um livro pode fazer com que ele se torne um clássico atemporal. Publicado no início do século XVII, “Dom Quixote” é frequentemente citado como o primeiro romance moderno. A história do cavaleiro errante que confunde moinhos de vento com gigantes continua a encantar e inspirar leitores com seu humor e suas reflexões sobre realidade e ilusão. A narrativa de Cervantes examina a linha tênue entre sanidade e loucura, oferecendo uma crítica perspicaz à sociedade de sua época. O impacto cultural de “Dom Quixote” é imenso, influenciando não apenas a literatura, mas também o teatro, a música e as artes visuais. O romance de Cervantes é uma meditação sobre a percepção e a realidade. Dom Quixote, com suas ilusões de cavalaria, desafia as normas sociais ao insistir em sua própria visão do mundo. Essa exploração da subjetividade da realidade continua a ser relevante, levantando questões sobre como percebemos o mundo e a influência de nossas crenças pessoais na formação dessa percepção. “Dom Quixote” transcendeu seu tempo e lugar de origem, tornando-se um ícone cultural. A figura do cavaleiro errante se tornou um símbolo de idealismo e loucura, inspirando inúmeras adaptações e interpretações. A influência de Cervantes se estende a muitos outros autores e obras, evidenciando seu papel central no desenvolvimento da literatura ocidental. Este épico da literatura russa é uma das obras mais ambiciosas de todos os tempos, abrangendo a vida de várias famílias aristocráticas durante as guerras napoleônicas. Com uma narrativa rica e personagens complexos, “Guerra e Paz” é uma meditação sobre a história, o destino e a natureza humana. Tolstói explora a interconexão entre o pessoal e o político, revelando como eventos históricos moldam vidas individuais. Os personagens de “Guerra e Paz” são multifacetados e profundamente humanos. Tolstói constrói suas personalidades com nuances, permitindo aos leitores ver suas evoluções ao longo do tempo. A complexidade desses personagens torna a leitura uma experiência rica, ao passo que cada um deles enfrenta dilemas morais e pessoais que ressoam com o leitor. A maneira como Tolstói aborda o destino e a história é central para o impacto de “Guerra e Paz”. O autor questiona a ideia de que os indivíduos controlam seu destino, sugerindo que forças históricas maiores desempenham um papel significativo na vida humana. Essa visão complexa da história e do destino oferece uma nova perspectiva sobre a liberdade humana e a inevitabilidade dos eventos. Considerado um marco da literatura modernista, “Ulysses” narra um dia na vida de Leopold Bloom em Dublin. Conhecido por sua narrativa inovadora e seu uso do fluxo de consciência, o romance de Joyce desafiou convenções e continua a ser estudado por sua complexidade e profundidade. A estrutura do livro, inspirada na “Odisseia” de Homero, redefine as possibilidades da forma do romance. “Ulysses” introduz uma nova abordagem à narrativa, rompendo com as formas tradicionais de contar histórias. O uso do fluxo de consciência permite aos leitores acessar os pensamentos mais íntimos dos personagens, criando uma experiência de leitura imersiva. Essa inovação estilística influenciou gerações de escritores e redefiniu a forma como os romances poderiam ser escritos. Joyce captura a essência da vida urbana em Dublin com precisão e detalhe. Ao seguir Leopold Bloom em suas atividades diárias, o autor oferece um retrato vívido da cidade e de seus habitantes. Essa atenção aos detalhes transforma a cidade em um personagem por si só, enriquecendo a narrativa com uma sensação de autenticidade e vida. Este romance mágico-realista segue a saga da família Buendía na aldeia fictícia de Macondo. Com sua prosa lírica e temas de amor, solidão e destino, “Cem Anos de Solidão” estabeleceu García Márquez como um dos principais escritores do século XX. A

Entenda por que todo escritor precisa ler, e por que todo leitor deveria escrever.

  Entenda por que todo escritor precisa ler, e por que todo leitor deveria escrever. Ler e escrever sempre caminharam lado a lado — mas raramente paramos para pensar no quanto uma prática alimenta a outra. Escritores que não leem ficam presos em seus próprios limites criativos. Leitores que não escrevem muitas vezes deixam passar a oportunidade de aprofundar a compreensão daquilo que consomem.Esse ciclo não é apenas intuitivo — ele é comprovado por neurocientistas e educadores como uma das formas mais eficazes de aprender, criar e expressar. A leitura amplia nosso vocabulário, estimula a empatia e abre novas janelas para o mundo. A escrita, por sua vez, nos obriga a organizar ideias, formular argumentos e desenvolver uma voz própria. Nesta matéria, vamos explorar como leitura e escrita formam um ciclo virtuoso de crescimento intelectual, emocional e criativo — e, principalmente, como você pode aplicar isso na sua rotina com técnicas simples e eficazes. Do diário de leitura às resenhas literárias, vamos te mostrar por que esse hábito integrado transforma não só sua relação com os livros — mas sua capacidade de pensar, sentir e se comunicar. Transforme seu hábito literário. Por que escritores precisam ser leitores Como ler com intenção transforma a escrita Por que leitores devem escrever Como escrever melhora a compreensão e retenção Técnicas práticas: diário de leitura, fichamento, resenhas e ensaios curtos Exemplos práticos para aplicar hoje mesmo: Conclusão Por que escritores precisam ser leitores Um escritor que não lê é como um músico que nunca escuta música. A leitura oferece referências, amplia vocabulário, ensina ritmo, estrutura, estilo e desenvolve senso crítico. Stephen King, por exemplo, afirma: “Se você quer ser escritor, deve fazer duas coisas acima de tudo: ler muito e escrever muito.” Um estudo da University College London (UCL), publicado no Journal of Cognitive Neuroscience, mostra que a leitura estimula não apenas as áreas linguísticas do cérebro, mas também as associadas à imaginação, ao raciocínio moral e ao processamento emocional — elementos fundamentais para uma narrativa envolvente. Além disso, ler ativa as regiões cerebrais associadas à criatividade, segundo artigo da Scientific American (2013), “The Reading Brain in the Digital Age”. Essas áreas são as mesmas que usamos quando criamos personagens, cenas e diálogos — ou seja, a leitura literalmente estimula o cérebro do escritor. Leitura também é exposição ao que já foi feito — para que você possa ousar fazer diferente. Escritores que leem desenvolvem um radar narrativo mais aguçado: sabem quando estão repetindo fórmulas e quando estão criando algo novo. Como ler com intenção transforma a escrita Ler por prazer já é transformador. Mas ler com intenção vai além: é leitura ativa, com objetivo de aprendizado. Isso inclui observar o estilo de outros autores, destacar frases marcantes, fazer anotações e tentar reescrever trechos com sua própria voz. Esses pequenos exercícios treinam o olhar do escritor. O pesquisador Daniel T. Willingham, da Universidade da Virgínia, defende que “a compreensão profunda está ligada à atenção intencional” — ou seja, ler como um escritor é uma das formas mais potentes de aprendizado literário. Dicas para ler com intenção: Marque trechos que mexeram com você e pergunte-se: por quê? Compare estilos narrativos entre autores que abordam o mesmo tema. Reescreva cenas com outro tom — transforme um drama em comédia, por exemplo. Tente identificar o arco emocional dos personagens em cada capítulo. Essa forma ativa de leitura é uma aula prática constante, e gratuita, de escrita. Por que leitores devem escrever Escrever é conversar com o que você leu. Quando um leitor registra suas impressões, está reconstruindo o conhecimento em um novo formato — o que aprofunda a experiência de leitura. Segundo matéria da Psychology Today (“Why Writing Helps Us Learn Better”, 2017), escrever ajuda a consolidar ideias, aumentar a retenção e melhorar a interpretação de texto. O educador literário Peter Elbow, autor de “Writing Without Teachers”, defende que escrever sobre o que lemos é uma forma de dialogar com o texto — e esse diálogo desenvolve tanto compreensão quanto crítica. Leitores que escrevem conseguem: Reter o conteúdo por mais tempo; Desenvolver argumentos sobre o que leram; Interpretar as intenções do autor com mais clareza; Criar pontes entre leituras distintas, construindo um repertório intelectual mais coeso. Se você deseja se tornar um leitor mais crítico e sensível, escrever é o caminho mais direto. Como escrever melhora a compreensão e retenção O ato de escrever reorganiza os pensamentos. Quando você tenta explicar com suas palavras aquilo que leu, precisa selecionar, hierarquizar e estruturar ideias. Esse processo ativa áreas do cérebro ligadas à memória de longo prazo e à compreensão profunda — o que significa que você não apenas entende melhor o conteúdo, como também o guarda por mais tempo. Uma pesquisa da Universidade de Indiana concluiu que escrever à mão ativa mais regiões cerebrais do que digitar, especialmente em crianças e jovens, sugerindo que a escrita física favorece a retenção. Mas o mesmo princípio vale para adultos que redigem resumos, resenhas ou reflexões — seja no papel ou digitalmente. Além disso, escrever fortalece o chamado “conhecimento ativo”: aquilo que conseguimos explicar, ensinar ou aplicar. Leitura nos fornece conhecimento passivo. A escrita o transforma em algo que nos pertence. Técnicas práticas: diário de leitura, fichamento, resenhas e ensaios curtos Quer começar a escrever sobre o que lê? Aqui vão três caminhos simples e eficazes — com orientações práticas para aplicar hoje mesmo: Diário de leitura O diário de leitura é um registro pessoal e contínuo das suas experiências enquanto lê. Não se trata de um resumo do enredo, mas de uma escrita reflexiva e subjetiva. Nele, você pode incluir: Emoções e pensamentos despertados pelo livro Questionamentos sobre decisões dos personagens ou do autor Frases que marcaram sua leitura e por quê Conexões com experiências pessoais ou outros livros 💡 Dica prática: use um caderno separado ou aplicativo como Notion, Evernote ou Google Docs para manter tudo organizado por data ou capítulo. Fichamento O fichamento é uma técnica acadêmica que ajuda a organizar o conteúdo de uma obra de

Recontos: Como Dar Nova Vida às Histórias que Já Amamos

Recontos: Como Dar Nova Vida às Histórias que Já Amamos Ao longo da história da humanidade, poucos elementos se mostraram tão persistentes quanto as histórias. Passadas de boca em boca, escritas em papiros, impressas em livros ou adaptadas para as telas, elas sobrevivem aos séculos porque tocam algo essencial em nós: o desejo de compreender o mundo e a nós mesmos. E entre todas as formas de narrativas, os recontos se destacam como uma das mais belas formas de homenagem à tradição, à criatividade e às novas gerações. Mas o que torna uma história tão poderosa a ponto de ser contada repetidamente? E por que o reconto, longe de ser uma cópia, pode ser uma obra original e transformadora? Neste artigo, vamos explorar essa arte que mistura passado e presente, cultura e emoção, palavra e intuição. O que são recontos, afinal? De forma simples, um reconto é uma nova versão de uma história já existente. Não se trata apenas de repetir o que foi dito, mas de narrar novamente, a partir de outra voz, de outro olhar. Pode ser mais curto, mais leve, mais complexo ou mais divertido. Pode modernizar a linguagem, adaptar o contexto, incluir novas interpretações ou mudar o ponto de vista. Diferente de uma adaptação (que pode modificar bastante o enredo) ou de uma releitura (que muitas vezes propõe uma interpretação crítica ou simbólica), o reconto preserva o cerne da história original, mas a conduz por novos caminhos. O poder cultural dos recontos A própria existência dos recontos é uma prova viva da força da tradição oral. Antes mesmo da invenção da escrita, mitos, fábulas e lendas eram passados entre gerações. É dessa forma que conhecemos as fábulas de Esopo, os contos populares reunidos pelos Irmãos Grimm, os mitos gregos e tantas histórias africanas e indígenas. Cada povo, ao contar a mesma história, acrescentava um detalhe novo, uma paisagem local, um herói parecido com os seus. Assim, as narrativas se tornavam mais próximas e significativas para cada cultura. O reconto é essa continuação: um elo entre o que fomos e o que somos. Monteiro Lobato e os recontos no Brasil Talvez o maior exemplo brasileiro de reconto literário seja Monteiro Lobato, que trouxe clássicos universais para o universo infantil brasileiro por meio do Sítio do Picapau Amarelo. Em “Reinações de Narizinho” e outras obras, Lobato mistura os contos de fadas europeus com o jeitinho brasileiro, criando situações em que personagens como Emília e Visconde de Sabugosa comentam, criticam e reinventam os contos de Chapeuzinho Vermelho, Cinderela, Branca de Neve, entre outros. Ele não apenas recontou essas histórias: traduziu para o Brasil, para a criança brasileira, para os dilemas e contextos que faziam sentido em nosso país. Seu trabalho mostra como o reconto pode ser um instrumento de aproximação cultural e de formação crítica. Por que recontar é uma arte? Recontar exige equilíbrio: é preciso respeitar a obra original e, ao mesmo tempo, ter coragem de reinventá-la. Não se trata de repetir, mas de dialogar com o texto, com o autor e com o leitor. Um bom reconto preserva a alma da história e oferece algo novo: uma linguagem mais atual, uma visão mais inclusiva, um humor diferente, uma mudança de ritmo, um olhar contemporâneo. Recontar é dar continuidade ao ciclo vivo das histórias. Assim como um músico interpreta uma partitura com sua própria emoção, o autor de um reconto coloca sua identidade naquele texto.

5 Figuras Literárias que Nasceram de Pessoas Reais

Nem todo personagem literário nasce da pura imaginação. Alguns, na verdade, já andaram por aí, respiraram, viveram e deixaram rastros reais no mundo antes de se tornarem parte das páginas dos livros. Escritores, como observadores atentos da natureza humana, muitas vezes encontram na vida real o molde perfeito para suas criações — seja em alguém que cruzou seu caminho, em uma figura histórica ou até em um animal. Mas o que acontece quando a realidade encontra a ficção? Surge um personagem tão forte que ultrapassa o tempo, as gerações e até os próprios autores. Nesta matéria, vamos conhecer cinco personagens literários icônicos que foram inspirados em pessoas reais. E, ao final, perceber como esses exemplos nos revelam (mesmo sem querer) o segredo por trás da criação de personagens inesquecíveis. 1. Sherlock Holmes – O detetive com jaleco de médico É difícil encontrar alguém que nunca tenha ouvido falar de Sherlock Holmes, o detetive que decifra crimes com frieza e genialidade. O que poucos sabem é que Arthur Conan Doyle se inspirou em Joseph Bell, seu professor de medicina na Universidade de Edimburgo, para criar o personagem. Bell era conhecido por sua capacidade quase sobrenatural de dedução. Observava pacientes e, antes mesmo de ouvi-los, já traçava um diagnóstico com base em pequenos detalhes — exatamente como Holmes faz com seus clientes. Curiosamente, Bell chegou a trabalhar como consultor em investigações criminais. Em outras palavras, ele realmente foi uma espécie de Sherlock da vida real. “Ele era como uma lente de aumento humana. Só faltava o cachimbo.” — Arthur Conan Doyle 2. Dorian Gray – O rosto da juventude eterna Oscar Wilde foi um mestre em esconder profundidades sob superfícies deslumbrantes. Em “O Retrato de Dorian Gray”, ele cria um personagem obcecado pela juventude e beleza — tanto que sacrifica sua alma para manter sua aparência intacta enquanto o retrato envelhece em seu lugar. Mas Dorian não foi uma invenção do zero. Wilde teria se inspirado em John Gray, um jovem poeta inglês de traços andróginos e personalidade encantadora. Os dois tiveram uma relação próxima, tanto intelectual quanto afetiva. Gray, ao saber da publicação do livro, se afastou de Wilde e rejeitou a ideia de ser o “modelo” de um personagem tão controverso. Anos depois, tornou-se monge e renegou seu passado mundano. O personagem Dorian é um lembrete do que acontece quando a beleza externa se desconecta da moral interna — um tema que, ironicamente, Oscar Wilde também enfrentaria na própria vida. 3. D’Artagnan – Um mosqueteiro de verdade O carismático mosqueteiro D’Artagnan, imortalizado por Alexandre Dumas em “Os Três Mosqueteiros”, existiu mesmo — ou pelo menos, a base dele. Seu nome verdadeiro era Charles de Batz-Castelmore d’Artagnan, um nobre gascão que serviu como guarda do rei Luís XIV no século XVII. Dumas encontrou as memórias escritas de Gatien de Courtilz de Sandras, baseadas em cartas do próprio d’Artagnan, e se inspirou para criar um personagem que misturava honra, valentia, paixão e humor. No livro, d’Artagnan é impulsivo e idealista, enquanto na realidade era um militar respeitado e estrategista. O que Dumas fez foi amplificar as qualidades humanas do original até transformá-lo em um arquétipo do herói aventureiro. “A ficção não inventa o que não existe. Ela apenas reorganiza com mais estilo.” — Alexandre Dumas (parafraseado)   4. Moby Dick – A baleia que atacava de verdade Moby Dick, a criatura titânica que aterroriza o capitão Ahab e tripulação do navio Pequod, foi inspirada em uma baleia real: Mocha Dick. Essa baleia cachalote albina foi vista várias vezes no Pacífico Sul no início do século XIX e era conhecida por destruir embarcações baleeiras. O escritor Herman Melville soube da história por meio de relatos de marinheiros e jornais. Ele então decidiu criar um símbolo maior do que o próprio animal — um mito sobre obsessão, natureza e loucura. O que era uma criatura instintiva e poderosa tornou-se, nas mãos de Melville, uma força quase metafísica: a personificação de tudo aquilo que o homem tenta dominar, mas jamais compreenderá por completo.   5. Drácula – O monstro nascido do sangue da história Drácula talvez seja o personagem mais famoso da literatura de terror. A criatura criada por Bram Stoker tem inspiração direta em um personagem histórico real: Vlad III, príncipe da Valáquia, conhecido como Vlad, o Empalador. Vlad era famoso por sua brutalidade com inimigos — empalando-os publicamente em campos inteiros como forma de punição e intimidação. Embora não existam registros de que ele fosse um vampiro (obviamente), seu gosto por sangue e seu nome — Drăculea — serviram de base para a construção do vampiro literário mais icônico da história. Stoker mergulhou em mitologias da Europa Oriental, adicionou pitadas de charme aristocrático e transformou Vlad em Conde Drácula, um vilão sedutor, trágico e aterrorizante.   O que esses personagens têm em comum? Você percebeu? Todos esses personagens têm uma origem no mundo real, mas ganham uma segunda vida no papel, transformando traços, acontecimentos e figuras históricas em arquétipos universais. Sherlock Holmes tem o arquétipo do sábio. Dorian Gray encarna o amante e o sonhador. D’Artagnan é o herói. Moby Dick é o estranho, talvez até o rebelde da natureza. E Drácula mescla o sedutor com o bandido. Esses autores sabiam que bons personagens são mais do que perfis — são forças vivas dentro da narrativa. E, mesmo quando inspirados por pessoas reais, foram reimaginados com profundidade, simbolismo e conflito.   A linha entre realidade e criação Se tem algo que os grandes autores entenderam, é que criar um personagem marcante não exige mágica, mas sim sensibilidade. Eles escolheram fragmentos da realidade — uma característica, um gesto, um histórico — e expandiram isso até virar símbolo. Ao contrário do que muitos pensam, o segredo não está em inventar tudo do zero. Está em saber observar com atenção e transformar com intenção. Às vezes, o personagem está ali — naquela frase que alguém disse, no rosto de um conhecido, em uma história que você ouviu. A partir disso, entra o seu olhar como criador ou criadora. E aí sim, nasce um personagem que vive além da página.   Quer criar o seu próprio Sherlock? Dorian? Drácula? Se você também tem uma ideia, uma lembrança ou alguém que poderia se tornar o próximo personagem inesquecível da literatura, temos algo

Das Tábuas de Argila aos eBooks: A Fascinante História do Livro

  Das Tábuas de Argila aos eBooks: A Fascinante História do Livro Imagine um mundo onde nenhuma história fosse escrita, nenhuma ideia pudesse atravessar os séculos, nenhum poema resistisse ao tempo. Antes do livro existir como o conhecemos, com capa, páginas e título na lombada, a humanidade já tentava capturar pensamentos, registrar crenças e preservar conhecimentos. O livro, mais do que um objeto, é uma invenção poderosa. E sua história é uma jornada de milhares de anos, moldada por civilizações, guerras, religiões e inovações. Nesta matéria, convidamos você a embarcar nessa linha do tempo fascinante: da pedra à nuvem, do papiro ao ePub. Porque para entender o poder de um livro hoje, é preciso conhecer as muitas formas que ele já teve no passado. A Transformação do Livro ao Longo do Tempo Os Primeiros Registros: Antes Mesmo do “Livro” Existir O Códice: Quando o Livro Ganha Corpo A Invenção de Gutenberg: Quando o Livro Ganha Voz A Era das Editoras: O Livro Como Produto Cultural A Era Digital: Quando o Livro Ganha Novas Formas O Futuro do Livro: Entre a Preservação e a Reinvenção Conclusão: O Livro É Uma Invenção Infinita   Os Primeiros Registros: Antes Mesmo do “Livro” Existir Muito antes da ideia de “livro”, o ser humano já tentava fixar pensamentos. Os primeiros registros escritos datam de cerca de 3.200 a.C., na antiga Mesopotâmia, onde símbolos eram gravados em tábuas de argila utilizando estiletes. Essas tabuletas cuneiformes não só registravam transações comerciais, mas também leis, mitos e ensinamentos. No Egito Antigo, surgiu o papiro, uma revolução para o registro de informações. Produzido a partir da planta de mesmo nome, o papiro era cortado em tiras, prensado, seco e usado como suporte para escrita com pincéis e tintas. Seu formato em rolo permitia o armazenamento de conteúdos mais longos, e pode ser considerado o ancestral direto do livro moderno. Na China, por volta de 1.000 a.C., o bambu e a seda foram usados como suporte antes da invenção do papel, que mudaria tudo. E na América pré-colombiana, os códices maias e astecas eram escritos em suportes vegetais ou em peles de animais, revelando que, em diferentes cantos do mundo, a humanidade já escrevia para lembrar, ensinar e eternizar. O que havia em comum entre esses registros? A intenção de deixar algo além da própria voz. Um traço, uma ideia, um eco.   O Códice: Quando o Livro Ganha Corpo Durante séculos, o formato em rolo foi o padrão para guardar textos. Mas por volta do século I d.C., o Império Romano começou a adotar o códice, um novo formato composto por folhas dobradas e costuradas, protegidas por capas. Era mais fácil de manusear, transportar e armazenar. Pela primeira vez, era possível folhear páginas e encontrar rapidamente um trecho específico. O conceito de página nascia ali. Os primeiros códices eram usados principalmente por cristãos, que preferiam o novo formato para copiar os textos sagrados. A estrutura facilitava o estudo, o comentário e a organização dos Evangelhos e outros escritos. Em poucos séculos, o códice substituiu totalmente o rolo no Ocidente. Com ele, surgiram práticas que usamos até hoje: numeração de páginas, índice, capítulos e até capas ilustradas. O códice foi o molde que atravessou a Idade Média, sendo copiado à mão por monges em scriptoria, salas dedicadas à cópia de livros, e decorado com iluminuras, verdadeiras obras de arte em miniatura. O códice não só deu corpo ao livro, deu também uma nova alma, mais próxima da experiência que temos hoje ao abrir uma obra impressa.   A Invenção de Gutenberg: Quando o Livro Ganha Voz Em meados do século XV, Johannes Gutenberg, um ourives alemão, criou um sistema de impressão com tipos móveis que mudaria para sempre a história da leitura. A prensa de Gutenberg, por volta de 1450, permitiu reproduzir livros em larga escala, com velocidade e precisão jamais vistas. O primeiro livro impresso foi a Bíblia de Gutenberg, um marco que uniu fé, tecnologia e conhecimento. Até então, um livro levava meses ou anos para ser copiado manualmente. Com a prensa, era possível imprimir centenas de exemplares em semanas. Isso fez os preços caírem e ampliou o acesso à leitura para além do clero e da nobreza. Nascia o livro como produto, e com ele, o leitor como figura social crescente. O impacto foi profundo: a Reforma Protestante se espalhou graças aos panfletos e traduções bíblicas impressas; o Renascimento ganhou força com a difusão de ideias científicas e filosóficas. A impressão deu voz a autores, ideias e movimentos que moldaram o mundo moderno.   A Era das Editoras: O Livro Como Produto Cultural Com a popularização da impressão, surgiram as primeiras editoras e livrarias. Entre os séculos XVII e XIX, o livro passou a ser visto não apenas como objeto de saber, mas também como bem de consumo. Editoras começaram a organizar catálogos, criar coleções temáticas e investir em traduções e autores contemporâneos. A leitura deixou de ser privilégio e virou hábito. Escolas começaram a adotar livros didáticos. O romance nasceu como forma popular de entretenimento, e nomes como Charles Dickens, Jane Austen e Machado de Assis chegaram a milhares de leitores. No século XX, o livro se consolidou como um dos principais veículos de cultura e identidade. Bibliotecas públicas, feiras literárias, prêmios e políticas de incentivo à leitura fizeram dele um instrumento democrático. Ao mesmo tempo, surgiam movimentos de resistência e censura. Queimar livros virou símbolo de opressão, enquanto proteger livros virou ato de liberdade. A história do livro é também a história de quem tentou calá-lo, e falhou.   A Era Digital: Quando o Livro Ganha Novas Formas No final do século XX, mais uma revolução silenciosa começou: a digitalização da leitura. Em 1971, o Projeto Gutenberg lançou o primeiro eBook da história, a Declaração de Independência dos Estados Unidos. Mas foi a partir dos anos 2000, com a popularização da internet e dos dispositivos móveis, que o livro digital ganhou força. Com o lançamento do Kindle em 2007, a Amazon transformou o mercado.

Como cultivar o gosto pela leitura na infância.

Como cultivar o gosto pela leitura na infância. Ninguém nasce apaixonado por livros. Esse amor se constrói com gestos simples, consistência e, acima de tudo, vínculo afetivo. Para muitas pessoas, o hábito da leitura começou com alguém especial lendo uma história antes de dormir, com um livro colorido deixado ao alcance ou com a liberdade de escolher um título na biblioteca da escola. A infância é o terreno mais fértil para plantar essa semente. E quanto mais cedo o contato com os livros, maiores as chances de formar um leitor para a vida toda. Segundo o relatório “Reading for Change” da OECD, crianças que têm contato com livros em casa desde pequenas tendem a desenvolver não só maior desempenho em leitura, mas também mais empatia, criatividade e pensamento crítico. Mas como despertar esse gosto pela leitura em um mundo de tantas distrações digitais? Nesta matéria, vamos apresentar 4 estratégias práticas — e afetuosas — para cultivar a leitura desde cedo e tornar os livros parte natural do dia a dia das crianças. Transforme o momento da leitura em um hábito. Por que o gosto pela leitura é cultivado, não herdado O interesse por livros não é inato — ele é construído no ambiente em que a criança vive. A pesquisadora Maria José Nóbrega, especialista em formação de leitores, afirma que “ninguém nasce leitor, torna-se leitor a partir das práticas que vivencia”. Isso significa que a leitura precisa ser apresentada não como obrigação, mas como prazer. Crianças imitam comportamentos. Se elas veem adultos lendo com frequência e carinho, entenderão que os livros fazem parte de uma rotina afetiva. O contrário também é verdadeiro: quando o livro é associado à cobrança ou tédio, a criança cria resistência. Estudos como o “Every Child a Reader” da National Literacy Trust mostram que a leitura diária com crianças melhora não apenas o desempenho escolar, mas também o bem-estar emocional. É um hábito que forma tanto o intelecto quanto o afeto.   1. Torne a hora da leitura mágica Criar um momento mágico para a leitura é o primeiro passo para encantar uma criança. Usar entonações diferentes, dar vozes únicas aos personagens, criar pequenos efeitos sonoros com objetos do cotidiano e fazer perguntas imaginativas (“O que você faria se estivesse nesse lugar?”) transforma a leitura em uma experiência envolvente. De acordo com um estudo da Universidade de Sussex (2019), essa leitura dialogada — em que o adulto interage com a criança durante a história — ajuda a desenvolver linguagem, memória e vínculos emocionais. É também uma forma de mostrar que ler é prazeroso, não apenas educativo. Faça da leitura um espetáculo íntimo, um ritual especial. A cada página virada, a criança começa a esperar o próximo capítulo — não porque foi obrigada, mas porque quer viver aquela história com você.   2. Crie um cantinho aconchegante O ambiente influencia diretamente o comportamento de leitura. Ter um cantinho reservado para os livros — com almofadas, uma luminária suave e uma pequena estante acessível — mostra para a criança que a leitura tem valor. Segundo a pedagoga Letícia Gonzales, especialista em espaços educadores, “quando os livros estão ao alcance, a criança sente que tem permissão para tocá-los, abri-los, explorá-los”. Esse acesso livre fortalece a autonomia e o vínculo com os livros. Não precisa ser uma biblioteca. Um canto com uma caixa de livros e um tapete já cria um espaço afetivo. Deixe que a criança personalize o ambiente: escolha onde vão os livros, coloque desenhos nas paredes. Quando ela sente que o espaço é seu, a leitura se torna natural.   3. Dê autonomia na escolha Um dos gestos mais simples — e poderosos — para formar um leitor é dar liberdade de escolha. Quando a criança pode decidir o que quer ler, ela se sente respeitada e envolvida. Pesquisas da Scholastic (“Kids & Family Reading Report”) apontam que 89% das crianças dizem que preferem ler livros que elas mesmas escolhem. Essa autonomia desenvolve senso crítico, gosto pessoal e reforça o pertencimento ao universo da leitura. Visitem livrarias juntos. Crie um ritual de troca de livros entre amigos ou primos. Apresente opções, mas não force preferências. Deixe que ela descubra os próprios caminhos — inclusive mudando de ideia no meio da leitura. Isso também faz parte do processo.   4. Integre no dia a dia Leitura não precisa de um momento solene. Pequenos rituais diários criam grandes leitores. Uma história curta antes de dormir. Um momento calmo no fim de semana. Ou até um “minuto livro” depois das refeições — todos esses momentos mostram que o livro cabe na rotina. O pediatra Daniel Becker defende que “o hábito da leitura se constrói quando ela deixa de ser exceção e vira parte do cotidiano”. Para isso, é essencial que o adulto também se envolva: leia ao lado, compartilhe impressões, mostre que a leitura é parte da sua vida também. Com o tempo, a criança vai buscar esses momentos por conta própria — não como obrigação, mas como prazer.   Dica bônus: Memória afetiva ilustrada Após a leitura, que tal propor que a criança desenhe a capa do livro com o que mais marcou sua experiência? Esse exercício reforça a memória afetiva, estimula a criatividade e amplia a interpretação do conteúdo. Além disso, montar um mural com as capas desenhadas permite que a criança veja sua “biblioteca emocional” crescendo. Ela se lembra do que leu, revê suas próprias criações e se orgulha do caminho construído. Essa simples atividade envolve arte, leitura, memória e vínculo. É um lembrete visual de que os livros fazem parte da história dela.   Estudos que comprovam o impacto da leitura na infância Pesquisas realizadas pela Universidade de Melbourne (2021) apontam que crianças que crescem cercadas por livros desenvolvem melhores habilidades linguísticas e cognitivas ao longo da vida — mesmo que não tenham sido alfabetizadas precocemente. A exposição à leitura amplia o vocabulário, melhora a memória e fortalece a capacidade de resolução de problemas. Além disso, segundo o estudo “Home Literacy Environment” da Universidade de

EDITORA VISEU LTDA CNPJ: 13.805.697/0001-10 Av. Duque de Caxias, 882. Sala 503, Torre I - Zona 7, Maringá - PR, CEP: 87020-025