O canto que atravessa gerações e transforma destinos

Sumário

Em um universo onde natureza, magia e sentimento caminham lado a lado, Ciclos Eternos: O Cântico de Gaya apresenta uma narrativa sensível e simbólica sobre amor, herança espiritual e renascimento. A obra conduz o leitor por uma linhagem marcada por dons, dores e milagres, revelando como cada geração carrega fragmentos das anteriores e como até as perdas podem florescer em novos começos.
A história acompanha Gaya, a mãe da Terra, e suas descendentes em uma jornada que atravessa afetos, rupturas e descobertas profundas. Entre bênçãos e maldições, luz e sombra, a trama constrói uma ode à vida em todas as suas formas e convida o leitor a escutar o canto silencioso que ecoa mesmo após o fim.
Nesta entrevista, a autora compartilha inspirações, reflexões e bastidores da criação de um livro que une poesia, fantasia e espiritualidade em uma experiência literária sensorial e transformadora.

1. Para começar, poderia nos contar um pouco sobre você e sua jornada como autora?

Sou escritora, ilustradora, jornalista formada, arte-terapeuta e uma observadora incurável do mundo. Sempre gostei de histórias — ouvir, contar, reinventar. Na juventude eu fazia zines, escrevia textos, desenhava quadrinhos, e percebo hoje que aquilo já era um ensaio para os livros que viriam. A escrita sempre foi meu jeito de organizar o caos e também de criar mundos onde a esperança tem raízes mais profundas que o medo.

2. O que a inspirou a escrever o livro?

Ciclos Eternos nasceu da minha relação com a natureza, com a espiritualidade simbólica e com a ideia de que tudo na vida é cíclico — dor, cura, perdas, recomeços. Eu queria escrever uma história que soasse como um mito antigo, algo que pudesse ser contado ao redor de uma fogueira, mas que também conversasse com questões muito humanas e atuais. Acho que, no fundo, eu queria escrever um conto de fadas para adultos cansados.

3. Como a sua experiência pessoal se reflete nos temas abordados no livro?

Acho que todo escritor escreve um pouco de si, mesmo quando está falando de florestas encantadas ou de seres feitos de vento. Os temas de dor, transformação, reconstrução e esperança estão muito presentes na minha vida e naturalmente atravessaram a história. Mas gosto de pensar que não é um livro sobre sofrimento — é um livro sobre sobrevivência, beleza e recomeço, mesmo quando tudo parece ter acabado.

4. Pode nos contar um pouco sobre o processo criativo por trás deste livro?

Meu processo criativo é um pouco caótico, um pouco mágico e bastante disciplinado ao mesmo tempo. Muitas ideias surgem como imagens: uma árvore, um personagem, uma cena inteira que aparece na minha cabeça como se eu estivesse assistindo a um filme. Depois vem a parte menos glamourosa, que é sentar e escrever, revisar, reescrever, cortar, ajustar. Escrever um livro é metade inspiração e metade teimosia.

5. Quais foram suas principais referências criativas para escrever o livro?

Minhas referências passam bastante pela fantasia e pelo fantástico. J.R.R. Tolkien me influenciou muito na construção de mundo e na ideia de mitologia própria, Clive Barker na forma de misturar beleza com elementos mais sombrios e estranhos, Stephen King na humanidade dos personagens e na maneira como o extraordinário invade o cotidiano, e Neil Gaiman, que escreveu Sandman, na poesia, no simbolismo e na forma de tratar o fantástico como algo íntimo e quase filosófico. Acho que todas essas influências se misturaram com a minha própria voz, como ingredientes de uma mesma poção.

6. Existe algum trecho do livro que você gostaria de citar?

Há uma ideia que atravessa o livro inteiro e que gosto muito: a de que o mundo pode esquecer muitas coisas, mas a vida continua cantando. Esse conceito do “canto de Gaya” é, para mim, o coração da história — a lembrança de que sempre existe continuidade, mesmo depois da dor.

7. Quais foram os principais desafios que você enfrentou ao escrever o livro?

O maior desafio foi equilibrar poesia e narrativa. Eu gosto muito de linguagem poética, mas também queria que a história tivesse ritmo e envolvesse o leitor. Outro desafio foi não desistir nos momentos em que o livro parecia grande demais — escrever um romance é como atravessar uma floresta longa: às vezes você não vê o fim, mas precisa continuar andando.

8. Como você espera que seu livro impacte os leitores?

Espero que o livro seja um lugar de descanso. Que quem leia sinta um pouco de silêncio, de beleza, de respiro. E que talvez, depois de fechar o livro, a pessoa olhe uma árvore, o céu ou até o próprio coração com um pouco mais de atenção.

9. Existe uma mensagem principal que você deseja transmitir?

Talvez a mensagem seja que tudo é ciclo. Nada é totalmente fim, nada é totalmente começo. A dor transforma, o amor transforma, o tempo transforma. E mesmo quando algo parece se perder, alguma coisa nova já está nascendo em outro lugar.

10. Há algum personagem ou história no livro que você considere particularmente significativo?

Gaya é uma personagem muito significativa para mim, porque ela representa a Terra, a maternidade, o tempo e a paciência. Mas também tenho um carinho especial pelos personagens que são considerados diferentes ou frágeis, porque muitas vezes são eles que carregam a maior força — e isso me parece muito verdadeiro também no mundo real.

11. Como você acredita que a Literatura pode contribuir para a vida dos leitores?

A literatura amplia o mundo interior. Ela permite viver outras vidas, compreender outras dores e enxergar perspectivas que talvez nunca encontraríamos sozinhos. E, em um mundo tão barulhento, a leitura ainda é um dos poucos lugares onde o silêncio pode existir.

12. Além da literatura, quais são suas fontes de inspiração para escrever?

A natureza é uma das maiores. Caminhar, observar o céu, ouvir o vento — parece simples, mas é de uma riqueza enorme. Também me inspiro em histórias reais, em conversas, em música, em arte e até em coisas muito cotidianas. Às vezes uma frase ouvida ao acaso pode virar um conto inteiro.

13. O que a literatura e a escrita significam para você?

São formas de existência. Escrever é uma maneira de compreender o mundo e também de deixá-lo um pouco mais habitável, nem que seja só dentro de uma página. É onde eu organizo o que sinto, o que penso e o que sonho.

14. Quais são seus planos futuros como escritora? Há novos projetos em desenvolvimento?

Sim, continuo trabalhando no universo de Ciclos Eternos, aprofundando personagens e expandindo a história. Ainda há muitos caminhos a explorar nesse mundo. E como toda boa história, ele ainda tem segredos que nem eu mesma descobri completamente.

15. Que conselho você daria para alguém que está começando a escrever seu primeiro livro?

Escreva, mesmo quando achar que não está bom. Principalmente quando achar que não está bom. O primeiro rascunho não precisa ser perfeito, ele só precisa existir. E leia muito, observe o mundo, escute as pessoas. Histórias estão em toda parte — às vezes só estão esperando alguém que tenha coragem de contá-las. Se eu puder acrescentar um conselho extra: não espere se sentir “pronto” para começar. Ninguém está. A gente aprende escrevendo, errando e escrevendo de novo. É meio como magia — só funciona quando você tenta.
EDITORA VISEU LTDA CNPJ: 13.805.697/0001-10 Av. Duque de Caxias, 882. Sala 503, Torre I - Zona 7, Maringá - PR, CEP: 87020-025