Mistério, sobrenatural e investigação: os bastidores de O Circo do Senhor Farfalle

Sumário

Entre enigmas, reflexões e uma atmosfera circense incomum, o livro convida o leitor a assumir o papel do próprio detetive e mergulhar em uma trama que mistura suspense, ficção científica e elementos sobrenaturais. Nesta entrevista, o autor revela sua trajetória, inspirações e o processo criativo por trás da obra.

1. Para começar, poderia nos contar um pouco sobre você e sua jornada como autor?

Nasci na cidade de São Paulo no finzinho dos anos 80, porém morei junto com os meus pais na cidade de Osasco até o começo dos anos 2000. Já nesta época me interessava por literatura fantástica, filmes de terror e RPG (Role Playing Game). Quando me mudei para São Paulo, fui me interessando ainda mais pela leitura e escrita e me arrisquei a escrever contos de terror, mas sempre algo bem mais intimista. Anos depois, já de volta à Osasco, vi alguns amigos publicando obras e me despertou aquele hobby de adolescente de escrever novamente, agora com intuito de publicar e demonstrar minha arte para mais pessoas poderem apreciar.

2. O que o inspirou a escrever o livro?

Gosto muito de cultura pop em geral, espiritualidade e ficção científica. A ideia do ambiente circense veio principalmente de jogos e livros um pouco desconhecidos pelo público em geral que colocam o sobrenatural neste cenário que habitualmente é puro, divertido e descontraído. A estranheza e a confusão ao se deparar com uma ambientação totalmente diferente do que deveria apresentar deixam a mente humana interessada em descobrir os motivos que levam O Circo do Senhor Farfalle a ser diferente dos circos convencionais.

3. Como a sua experiência pessoal se reflete nos temas abordados no livro?

Esta é uma boa pergunta. Na minha época de adolescência quando apenas escrevia contos para mim mesmo, o foco era apenas criar histórias com doses de terror psicológico para testar minha criatividade. Após experiências sobrenaturais pessoais que presenciei por mim mesmo, como viagens astrais; clarividências; clariaudiências e interesses por esoterismo como tarô; mapas astrais; etc., minha visão de mundo mudou. Passei a desejar compartilhar meus conhecimentos do sobrenatural junto com minha escrita ficcional, colocando os leitores no questionamento: “Onde a ficção nesta obra acaba e a realidade começa?”

4. Pode nos contar um pouco sobre o processo criativo por trás deste livro?

O desejo de escrever um livro em segunda pessoa, para as pessoas imergirem dentro do(a) personagem do(a) detetive, sem um gênero definido para que qualquer um que lesse puderem se sentir como o(a) próprio(a) detetive por parte da trama, foi sempre o desafio principal a que me coloquei. O cenário do circo envolto em uma trama policial com tons sobrenaturais e toques de ficção científica foi outro ponto. A partir daí, os personagens foram surgindo naturalmente de modo que eles tivessem uma personalidade que impulsionasse a história para a frente, interagissem entre si e trouxessem humanidade para um ambiente recheado de mistérios. Idealizei o final do livro primeiro, para depois imaginar o que poderia ter desencadeado para chegar até ali. No começo pensei ser de grande dificuldade realizar a criação de forma invertida, mas nesta obra em específico funcionou muito bem para mim.

5. Quais foram suas principais referências criativas para escrever o livro?

O Circo do Senhor Farfalle é uma obra que mistura diversos itens de cultura pop como jogos, filmes, esoterismo e a própria literatura. Porém, ele apresenta itens únicos com o intuito de fazer o leitor adentrar um universo pela primeira vez. Posso citar André Vianco e H.P. Lovecraft como minhas maiores inspirações, mas seria injusto não mencionar J.K. Rowling, R.L. Stine, Robert Eggers e Quentin Tarantino. Devo estar esquecendo de diversas influências que me transformaram em quem sou hoje, desde as mais antigas até as mais recentes, mas o mais justo seria dizer que o livro pega um pouquinho do estilo de cada um para criar o meu próprio estilo.

6. Existe algum trecho do livro que você gostaria de citar?

“Isso é o que chamamos de piada universal”, dito por uma das personagens, é o trecho que, para mim, resumiria o livro. A Piada Universal é o conceito de que sabemos tão pouco sobre o universo e a existência da vida que nem sequer podemos afirmar que há um fim para o aprendizado e descobrimento de novas visões de mundo. Sempre que aprendemos algo novo, nos propomos a descobrir uma próxima coisa e nunca nos damos por satisfeitos. Até onde essa busca por conhecimento e a existência do espírito vai? Ela sequer tem um fim? E, caso ela não tenha um fim, seria isso um problema ou uma dádiva?

7. Quais foram os principais desafios que você enfrentou ao escrever o livro?

Escrever um livro inteiro é algo que exige disciplina e consome bastante tempo. Tendo um trabalho CLT, com uma criança pequena em casa… sobrava pouco tempo para produzir um livro de qualidade que me agradasse e agradasse quem iria ler a obra. A minha solução foi simplesmente me divertir com a escrita, da mesma forma que eu me divertia escrevendo contos na adolescência, como um hobby. Ao mesmo tempo que eu me obrigava a ter constância praticamente diária na escrita, eu sabia que escrever não seria um fardo e sim um prazer ao trazer vida para este universo que merecia sair de dentro da minha cabeça para as páginas de papel.

8. Como você espera que seu livro impacte os leitores?

Espero que os leitores de fato imerjam dentro do(a) personagem detetive e analisem cada ponto de reflexão dele(a). Tomem por si próprios a decisão do que é mito e o que é real, a decisão de quem está certo e quem está errado, e a decisão para si do que devem trazer para suas próprias vidas e do que devem manter apenas nas páginas do livro. Desejo que os leitores compreendam a reflexão que o livro pretende trazer e o passatempo divertido que ele procura proporcionar. Quero que, ao finalizarem o livro, tenham certeza e confiança de que o impacto que O Circo do Senhor Farfalle causou em suas vidas também será proporcionado (com diferenças reflexivas) nos próximos livros que pretendo escrever.

9. Existe uma mensagem principal que você deseja transmitir?

Não há uma mensagem principal, mas sim um objetivo principal. O objetivo com o livro é estimular os leitores a decidirem por si próprios, determinarem se os conceitos que o livro apresenta acontecem nas suas vidas ou ficam apenas nas margens da ficção. Todavia, caso tivesse que escolher apenas uma mensagem para transmitir, a escolhida seria a reflexão apresentada logo no subtítulo caso se afastem demais da persona do(a) protagonista: “O que seria do seu ceticismo ao se tornar médium repentinamente?”

10. Há algum personagem ou história no livro que você considere particularmente significativo?

O quarteto principal, formado pelo(a) detetive (encarnado pelo leitor), o palhaço, a vidente e a influencer, são para mim os personagens mais significativos. Cada um possui visões distintas sobre o que está acontecendo no circo e apresentam possibilidades com as quais o leitor pode se identificar mais… ou menos. Eles trazem soluções e desafios, de modo que empurram a trama para frente ou a retardam ainda mais. Os quatro juntos formam a representação da imperfeição humana agindo diante daquilo que desconhecem.

11. Como você acredita que a Literatura pode contribuir para a vida dos leitores?

A Literatura é ampla e possui ramificações para todos os gostos. Ao mesmo tempo que eu creio que é impossível escrever um livro que vá agradar todos os leitores, é impossível escrever um livro que não vá agradar ninguém. Esta é a magia da Literatura, onde escritores podem transportar suas ideias dentro de suas cabeças para um conteúdo impresso em páginas, enquanto leitores podem absorver tais ideias e reflexões das páginas e imaginá-las novamente dentro de suas próprias cabeças de uma forma totalmente diferente, remontando a arte para si ao seu próprio gosto.

12. Além da literatura, quais são suas fontes de inspiração para escrever?

A arte audiovisual é bem direta e difundida: jogos, filmes e clipes musicais trazem conceitos e ideias bem interessantes para inspirar escritores. Mas, para mim, a arte que mais inspira fora da literatura convencional é o RPG. Este jogo imaginativo foi uma das principais artes que me impulsionaram a escrever. O RPG te incentiva a criar seus próprios personagens e cenários, atuar e simpatizar com sua própria criação e a de seus amigos, de modo que vocês criem em conjunto um universo rico e que te faz sentir parte do mesmo. Essa imersão dentro de um personagem me motivou bastante a escrever O Circo do Senhor Farfalle, de modo que o leitor não apenas se identifique com o protagonista detetive, mas sim seja o(a) próprio(a) detetive.

13. O que a literatura e a escrita significam para você?

O que para mim já foi um hobby, hoje vejo como forma de vida. Eu estou realmente me divertindo com todo o processo da escrita, desde a criação da obra em si até o contato com leitores e divulgação. Almejo muito que em breve eu possa tomar para mim como uma profissão e ter bastante tempo para transportar minhas várias ideias de novos livros e publicá-las com a qualidade e o carinho que merecem.

14. Quais são seus planos futuros como escritor? Há novos projetos em desenvolvimento?

Há sim um novo projeto que já dei início. Assim como O Circo do Senhor Farfalle, ele manterá o leitor imerso em uma personagem ao ser escrito em segunda pessoa, também trazendo mistérios, sobrenatural e reflexões sobre a vida. Tenho certeza de que os apreciadores de O Circo do Senhor Farfalle também gostarão deste novo livro e dos próximos que virão, já identificando minhas características como escritor.

15. Que conselho você daria para alguém que está começando a escrever seu primeiro livro?

Diversão e disciplina são as principais palavras-chave. Ao mesmo tempo que você precisa criar um cronograma de escrita, não pode se sentir pressionado. Caso o desânimo bata, reflita se a história que bolou está realmente te divertindo, pois, caso não esteja, como vai divertir os outros? Crie personagens principais e os pontos principais da trama antes mesmo da escrita e se pergunte: “Como o personagem X chegou no ponto Y?”. Isso te dará a criatividade e o direcionamento necessários para a escrita fluida. A dica de ouro final: jogue RPG ao menos uma vez na vida. Crie um personagem e um universo em conjunto com seus amigos e vivencie a vida deste personagem dentro do jogo, sentindo intimidade e se importando com ele. Ao fazer isso, criar personagens e histórias ficará muito mais fácil para você.

Sobre o livro

O Circo do Senhor Farfalle é uma obra que combina investigação, mistério e elementos sobrenaturais em uma narrativa imersiva escrita em segunda pessoa, na qual o leitor se torna parte ativa da história. Com personagens marcantes e reflexões instigantes, o livro propõe uma experiência que ultrapassa a leitura tradicional e convida o público a questionar os limites entre realidade e ficção.
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