E se o mundo perdesse todos os animais de uma vez? Partindo dessa premissa inquietante, o autor Péro Correia constrói uma narrativa intensa sobre sobrevivência, moralidade e a verdadeira natureza humana. Nesta entrevista, ele revela inspirações, desafios e reflexões por trás da obra.
Para começar, poderia nos contar um pouco sobre você e sua jornada como autor?
Eu sempre fui alguém com a mente muito criativa. Antes mesmo de pensar em escrever um livro, eu já criava muito através da música — sou guitarrista, toco violão — e sempre tive paixão por filmes, séries e videogames, então contar histórias sempre fez parte do meu jeito de existir, mesmo que eu não percebesse. A leitura entrou mais forte na minha vida num momento bem marcante: quando tive a chance de trabalhar com a maior rede social de leitores da América Latina e também com uma editora conceituada aqui no Brasil. Isso me aproximou muito do universo literário e mudou minha forma de enxergar narrativa, escrita e construção de mundo. E aí, quando eu percebi, eu não estava mais apenas consumindo histórias… eu queria criar uma.O que te inspirou a escrever o livro?
A ideia nasceu de um jeito bem curioso: de um sonho. Foi aquele tipo de sonho em que você acorda e fica pensando: “Caramba, isso aqui tem algo”. O tema central apareceu muito forte na minha cabeça: como seria um mundo sem animais? E o mais interessante é que, depois desse sonho, eu não consegui simplesmente esquecer. Eu fui alimentando essa ideia aos poucos, pensando nas implicações, imaginando cenas, personagens e, quando vi… já era um universo inteiro se formando dentro de mim.Como sua experiência pessoal se reflete nos temas abordados no livro?
Eu acho que o livro conversa comigo em vários níveis, mas o principal é que ele me fez enfrentar um desafio que não era só criativo — era humano. Eu tive que estudar muito para conseguir sustentar esse mundo de forma realista: consequências climáticas, sociais, políticas… e principalmente o que acontece com o ser humano quando ele perde aquilo que acredita ser “normal”. Em Verdadeiros Animais, a catástrofe não é só externa, ela é interna. Porque quando o planeta perde os animais, o que sobra é o ser humano… e nem sempre o ser humano é bonito de ver. Inclusive, isso aparece logo na essência do livro: “Sem os predadores naturais, os verdadeiros animais emergiram.” Então, no fundo, a história também é sobre como a gente reage quando tudo desmorona — e isso tem muita relação com o que eu já vivi, com o que observo do mundo e das pessoas.Pode nos contar um pouco sobre o processo criativo por trás desse livro?
O processo foi bem intenso e bem “por camadas”. Eu não consegui escrever como se fosse uma linha reta, porque o tema exige profundidade. Então eu fui construindo por partes: primeiro a base do mundo, depois os personagens, depois os conflitos… e principalmente fui ajustando o tempo narrativo, porque a história atravessa fases diferentes — antes do colapso, o colapso e o que vem depois. Isso exigiu atenção, porque eu queria que cada capítulo tivesse peso e que as mudanças no tempo não confundissem, mas sim aumentassem a experiência. E, para mim, foi quase como montar um quebra-cabeça emocional.Quais foram suas principais referências criativas para escrever o livro?
Eu bebi muito de obras que sabem explorar sobrevivência, decadência social e humanidade em ruínas. Algumas das principais referências foram:
● The Last of Us
● The Walking Dead
● Mad Max
● Resident Evil
● Eu Sou a Lenda
● Game of Thrones
Essas histórias me inspiram não só pela ação, mas principalmente pelo que existe por trás: o medo, o colapso da moral, a luta por sentido… e a pergunta que fica sempre no ar: até onde alguém vai para sobreviver?