Relações saudáveis começam com consciência

Em um cenário onde relações afetivas muitas vezes se confundem com padrões repetidos e dores antigas, Relações Respeitosas – Reflexões sobre padrões de escolhas afetivas e relações saudáveis, sob o olhar da Terapia do Esquema surge como um convite à clareza. A obra propõe uma reflexão profunda sobre como escolhemos nossos parceiros, por que repetimos certas dinâmicas e como podemos construir vínculos mais seguros e saudáveis.A partir do conceito de “química esquemática” — a tendência inconsciente de nos sentirmos atraídos por pessoas que ativam nossos esquemas emocionais mais dolorosos — o livro oferece uma análise acessível, fundamentada na Terapia do Esquema, combinando ciência, prática clínica e vivência pessoal.Nesta entrevista, os autores compartilham inspirações, desafios e a mensagem central da obra: relações respeitosas não são fruto do acaso, mas do autoconhecimento. 1. Para começar, poderia nos contar um pouco sobre você e sua jornada como autor? A nossa jornada é curtinha ainda. A Bruna participou de um livro técnico na área da Farmácia e depois, nós dois fomos convidados a participar de um livro técnico de Psicologia — Relações Amorosas, Terapia de Casal e Análise do Comportamento, lançado em 2025. Assim, Relações Respeitosas é o nosso primeiro livro. 2. O que os inspirou a escreverem o livro? O capítulo deste livro lançado no início de 2025 era justamente sobre relações respeitosas e relações desrespeitosas. Foi escrito em 2023 e só lançado ano passado. A gente se inspirou neste capítulo. Aprofundamos o tema, trouxemos vários exemplos para ilustrar o que falamos e escrevemos em linguagem acessível ao público geral. Outra mudança é que, no Relações Respeitosas, utilizamos uma abordagem terapêutica diferente, a Terapia do Esquema, para explicar os fenômenos relacionais ilustrados no livro. 3. Como a sua experiência pessoal se reflete nos temas abordados no livro? A gente lida com relações desrespeitosas no dia a dia, através de histórias dos nossos pacientes. Também já estivemos em relacionamentos desrespeitosos! Então, a nossa experiência pessoal está relacionada à nossa própria história de vida. A gente inclusive conta um pouco do nosso relacionamento como forma de ilustrar uma relação respeitosa. 4. Podem nos contar um pouco sobre o processo criativo por trás deste livro? Como havíamos estudado para a produção do capítulo do livro que fomos coautores e o tema era praticamente o mesmo, o processo se deu de forma rápida. Foi uma questão de organizar uma estrutura lógica para mostrar o problema de modo a alcançar não mais um público de profissionais e acadêmicos da Psicologia, mas pessoas comuns em diferentes tipos e estágios de relacionamento. Utilizamos uma base teórica para explicar os fenômenos de uma dinâmica relacional, a Terapia do Esquema, como forma de dar sentido a coisas que simplesmente se repetem. 5. Quais foram suas principais referências criativas para escrever o livro? O livro é cheio de exemplos de casos clínicos ficcionalizados, filmes, séries, músicas, conteúdo de redes sociais, tudo isso para ilustrar as dinâmicas de pessoas em relacionamentos e tornar simples a compreensão do que a gente mostra no livro. 6. Existe algum trecho do livro que vocês gostariam de citar? Vamos deixar duas citações que, no nosso entendimento, dão o tom sobre como todos nós funcionamos em nossas relações: “A infância é o chão sobre o qual caminharemos o resto de nossos dias” — Lya Luft. “Não vemos as coisas como elas são. Vemos as coisas como nós somos!” — Anaïs Nin (atribuído). 7. Quais foram os principais desafios que vocês enfrentaram ao escrever o livro? A escrita foi relativamente fácil e prazerosa. O desafio, na verdade, foi autoimposto: terminar rápido para usar a publicação em alguns projetos que planejamos para o ano seguinte, 2026. Deu certo! 8. Como vocês esperam que seu livro impacte os leitores? Na verdade, os primeiros feedbacks de leitores têm sido impactantes. Não esperávamos tanto, apesar de sabermos que isso seria possível. O conteúdo do livro meio que provoca reflexões profundas do tipo: “descobri que meu casamento de mais de 20 anos é uma relação desrespeitosa e não sei o que faço a partir de agora”; ou “parece que vocês estão falando da minha história”. Teve ainda uma leitora que ficou tão impactada com o que leu que resolveu presentear 10 amigas com exemplares e pactuaram discutir sobre o conteúdo. 9. Existe uma mensagem principal que vocês desejam transmitir? Sim, autoconhecimento! Conhecer a si te dá um poder incrível. Perceber padrões que são repetidos tão somente por conta de familiaridade pode ser penoso — imagine descobrir que vive uma relação desrespeitosa depois de mais de 20 anos juntos! 10. Há algum personagem ou história no livro que vocês considerem particularmente significativo? O livro não tem personagens. Mas, no último capítulo, contamos um pouco da nossa história como forma de ilustrar uma relação respeitosa — imperfeita, claro. Pode parecer improvável, mas algumas pessoas não têm referência do que é uma relação assim simplesmente por não terem convívio com quem pudesse servir de inspiração. 11. Como vocês acreditam que a literatura pode contribuir para a vida dos leitores? A literatura é composta de janelas para múltiplos universos. Tudo que existe está nos livros. A leitura liberta! Talvez nunca se tenha lido tão pouco quanto atualmente, ao mesmo tempo em que nunca foi tão necessário que lêssemos mais. 12. Além da literatura, quais são suas fontes de inspiração para escrever? Sem dúvida, a nossa prática clínica e as trocas com os nossos pacientes são a maior fonte de inspiração para escrevermos. 13. O que a literatura e a escrita significam para vocês? Ainda estamos processando isso. Até pouco tempo atrás sequer havíamos pensado em escrever e hoje temos participações e um livro com um tema de grande relevância e totalmente atemporal. 14. Quais são seus planos futuros como escritores? Há novos projetos em desenvolvimento? Sim! Há um projeto em desenvolvimento. Desta vez como organizadores de um livro com 25 coautores. 15. Que conselho vocês dariam para alguém que está começando a escrever seu primeiro livro? Diríamos para este novo escritor empenhar-se, reler o texto inúmeras vezes, refazer